sexta-feira, 19 de abril de 2013

O Suicida E O Rapaz Feliz

Uma curta estória apresetada em um diálogo entre dois amigos, Abi e Bob. Abi recebe uma carta de Bob, Abi não tem muito tempo e depois de voltar do trabalho passa na casa de Bob.  Eles estão
no quarto e...

Bob: - Man, não estou com vontade de ir nesta sexta. Cara foi bom falar com você não tenho como descrever o prazer que senti, nunca me senti tão bem, mas coisas assim são raras e durão pouco e eu não quero passar uma vida com apenas segundos de felicidades. Depois deste sábado que será o ultimo dia que verei Angélica, estou planejando ir para a Praia, nadar e nadar até as ondas sumirem e mergulhar e mergulhar e acabar. Não sei se terei coragem, mas é uma solução, a única solução para minha angustia.

Abi: - Cara, você vai sexta! – uma cara séria - E é melhor aparecer lá mais cedo, umas 14 horas.

Bob: - É serio porra

Abi: - e você acha que eu não estou falando sério?

Bob: - a vontade vai e vem... Se tivesse veneno aqui em casa eu já tinha tomado. Sou deprimente me deixe Sequela (Abi).

Abi: - eu estou te falando rapaz, vá sexta está me escutando? Ow Adrianu tá me ouvinu?

Bob: - estou – Bob rir

Abi: - você tem que ir amanhã – rosto serio.

Bob: - vei, vô procurar um doutor.  ‘tô’ imaginando como será... – face seria

Abi: está doente?

Bob: - goodbye cruel world... Da cabeça, ontem eu fiz uma parada igual ao Pink do filme do Pink Floyd. Pink é maluco.

Abi: - Deixa eu ver o vídeo. Eu sou um péssimo, digamos... fã. O que ele faz? – um riso

Bob: - eu tenho o dvd, pera.. (http://www.youtube.com/watch?v=MkDtPDQ7XTc apartir dos 55 min) Organizei meus bagulhos do quarto na sala ai lembrei, ficou parecido, mas não estava quebrado. Isso foi às 4horas da manhã.

Abi: - lol, Eu sempre quero ajeitar umas coisas lá em casa, mas nunca ajeito. Puta preguiça do caralho.

Bob: - Fica depressivo com vontade de se matar ai você arruma. Minha mãe ficou feliz.

Abi cai em gargalhadas.

Abi: por que você tá ‘deprê’ velho?

Bob: - sei lá... Quer saber mesmo? Precisa ler muito – Um sorriso de canto

Abi: - se você estiver disposto. Por isso que eu queria que você fosse amanhã.

Bob: - Cara, hoje não sai do meu quarto, só fiz tocar violão... Só quero duas coisas: ver Angélica neste sábado e domingo ir à praia, mas... Quer mesmo?

Abi: - Queria conversar com você, se divertir e saber mais por que você tá com essa ‘deprê’, não sei se você estava falando sério daquela parada de se jogar no mar e tal.

Bob: - hehe, vei eu vou sexta porque você me deixa feliz.

Abi sorrir. Bob remexe em seus livros pega uma folha de papel e dá uma carta a Abi e Abi lê

Bob: - lê? Uma carta que talvez o faça entender, ainda não dei a ela.

Trechos da carta diziam: “Oi Angel,
Não sei exatamente porque levantei na madrugada...” “...Pensei em me matar, não por sua causa exatamente, antes de você eu já pensava. Queria um objetivo para minha vida, algo simples e de ‘significado’, não coisas fúteis, de valor criado pelo monstro que guia a sociedade, não uma ilusão. Talvez o sentido real de viver e infelizmente para mim o que eu almejava era impossível. Sem um sentido, só esperava sumir as poucas coisas que me dão prazer, para eu ir, mas eu conheci você.
Quando me apaixonei por você achei o porquê de continuar, queria lhe fazer feliz, queria ficar perto de você, só queria fazer com que soubesse que alguém quer seu bem e lhe admira o quanto merece...” “...Para conseguir isso teria que me sujeitar às coisas sem sentido, a sofrimentos desnecessários, teria que aceitar viver nesse mundo, mas tudo bem, por tanto que conseguisse o seu bem, o seu sorriso...”
“...Talvez você e os outros digam:- Ninguém é o centro do universo... Mas ninguém sabe além de você, onde isso atingiu. É inegável, visto pelas minhas propriedades, que estou ‘taxado’ a solidão e ao vazio...”
“...Digo por fim que não tenho intensão de deixar o mundo, porque não quero lhe causar outra perda; ainda quero que seja feliz, me manterei até que se esqueça de mim e enquanto isso, eu sigo em busca de um Sentido.”
...
Bob.

Abi: - pera...

Bob: - essa carta é para você entender minha...

Abi: - entender a sua... ‘deprê’?

Bob: - é

Abi: - dude

Bob: - dude é igual a legal?

Abi: - cara – pensa com um sorriso irônico.

Bob rir

Bob: - lá vem...

Abi: - você já falou com alguém sobre isso?

Bob: - não, só você e a angélica quando lê esse negocio. Nem ela, eu menti para ela dizendo que ia ficar 
bem, irei... Já que ainda n dei a carta então só você sabe.

Abi: - ou então você já deve ter pensado “ah existem outras garotas e tal”.

Bob fica serio e pergunta-se se ele leu a carta

Abi: - eu não sei completamente a história, não sei o que fez você se apaixonar por ela talvez beleza, existem várias garotas com a mesma beleza, talvez a personalidade, idem.

Bob: - não é essa a questão, não é só ela.

Abi: - é sobre a vida? Seu momento? Ou pressão do círculo dela?

Bob: - é sobre a vida... Por que devo aceitar meu sofrimento?  Por que devo fazer as coisas para alimentar um sistema que só me traz mal? Já esteva convencido de parar, antes de conhecer ela. Não, não é ela, ela só deu um motivo para aceitar, ela foi ‘os bons porques dos meus Por ques?’. Eu aceitaria essa desgraça de vida cheia de miséria para ficar feliz com ela, mas agora só preciso de um novo motivo, talvez o que chamem de sentido da vida, ou talvez só mais um motivo para aceitar meu sofrimento, aceitar tudo de cruel vazio e egoísta que me foi imposto sem nem me perguntarem se eu queria.

Abi: - vey, eu também ficava pensando sobre isso, talvez não tão a fundo o quanto você tenha ido

Bob: - é tudo uma merda.*

Abi: - eu pensava, por que as pessoas vivem essa vida supérflua? Ficar se amostrando em uma rede social, ser forçada a fazer coisas apenas por puro status.

Bob: - ou você vira o puta de um sínico ou morre**

Abi: - mas isso tudo se chama aceitação, elas são tão inseguras assim como eu e você, larguei disso e sei que o que me fazer feliz estará valendo não importa o que os outros pensem.

Bob: - não se trata dos q do q os outros dizem. O que me faz feliz é raro e tênue.

Abi: - eu entendo cara...

Bob: - tenho que ignorar a minha desgraça? A nossa desgraça?

Abi: existem tantas coisas no mundo. Que tipo de desgraça? A ganância de um ‘engravatadinho’? A ostentação de um playboyzinho? A fome de um mendigo?

Bob: - ter que acordar para fazer algo que te torne menos você... Perder alguém, suas vergonhas...

Abi: - perder alguém no sentido de morte ou de ela não querer mais te ver?

Bob: - Morte.

Abi: - o que você acha que te torna menos você?

Bob: - ter que estudar para fazer algo que não quero.

Abi: - e não há nada que você goste para estudar?

Bob: - claro que há

Abi: - então por que você não faz isso?

Bob: - estava pensando em fazer

Abi: e...

Bob: - olha um exemplo: você trabalha em seu emprego, constrói coisas que não te identifica, aquela coisa deixa seu patrão rico e gozando do que você queria ter, de noite você está com pessoas que não queria estar, ver coisas e ouve coisas que não quer ouvir, tipo na TV, depois vai encher a cara para esquecer tudo...

Uma voz: - Bob!

Bob o deixa só por alguns instantes...·.

Bob: - Era bobagem, voltando ao assunto. Sofremos e escondemos nossa dor com mentiras. Só quero fugir dessa realidade imunda, pessoas saem no fim de semana para um parque para se distraírem, deixar suas próprias calamidades, mas quando eu vou não esqueço minha condição. Pessoas bebem, não consigo beber e me torna quem não sou...

Abi: Cara, sobre o patrão...

Bob: - eu até me perdi... diga-me o quão sou estupido, não consigo deixar para lá como todos fazem, está 
além de mim fazer algo, não consigo aceitar que fracassarei na maior parte da minha vida.. Sou só mais um em um lugar de solidão onde ninguém enxerga ninguém, até mesmo eu!

Abi: - Cara está além de você fazer algo, "quebrar o sistema"?

Bob: - SOAD

Eles riem

Abi: - caralho vei, estou muito lerdo hoje... As pessoas podem ir pro parque para fugir por um momento da sua vida sua rotina, mas na verdade eles vão pro parque porque querem ir pro parque o seu problema, creio eu, é ser muito pessimista.

Bob: - ninguém vai pro parque só porque quer ir para o parque, vão porque querem sentir prazer... Isso é que queremos; o que motiva é o sentir prazer... Mas não sinto prazer se não deixar... Vou usar de você, se não deixar o meu pessimismo.

Abi: - então cara, se fazemos as coisas por prazer o que há demais nisso? O seu problema é que você não encontra prazer em nada?

Bob: isso... Não há prazer porque eu não consigo mais ignorar, incomoda não conseguir parar de pensar na minha condição saber que tudo continua na merda, que logo estarei naquela maldita fila de novo vejo as pessoas e penso em suas angustias, em sua estupidez que é inerente ao homem.

Abi: - por que estupidez? Por elas almejarem o prazer?

Bob: - não

Abi: - por ficar fazendo quadradinho de oito e outras bobagens?

Ambos riem

Bob: - sim... isso sim.

Abi: - olha, diga-me se entendi. Você não encontra o seu "prazer" por saber que sempre vai ficar na mesma situação?

Bob: - me vi em um paradoxo por um momento, são estupidas por não pensarem em sua condição, o eu sofro, por fechar os 
olhos e se deixar levar só por mais um momento de prazer, quando poderiam usufruir dele de maneira mais intensa se mudassem.

Abi: - cara, você não é feliz porque as pessoas são imbecis?

Bob: - não

Abi: - porque tipo, você já falou um monte de coisas

Bob: - ignorância e imbecilidade não resolve nada, te faz rir, mas não resolve. Falei coisas sem sentido?

Abi: - resolver o quê cara?

Bob: - “você já falou um monte de coisas” quer falar?...

Abi: - não, o problema é que começou o porquê de você estar ‘deprê’

Bob: - Calma chego lá. Resolver o que vemos no jornal todo dia...

Abi: - violência, ignorância?

Bob: - resolveria isso também... Amenizaria

Abi: - cara, ‘seriosamente’, não estou entendendo nada. Imbecilidade e ignorância amenizariam a violência e a ignorância que vemos no jornal?

Bob: - não. O fim da ignorância levaria a melhorar.

Abi: - o fim da ignorância ou traria o caos ou a paz. Eu acho que seria provável o caos

Bob: - O fim da 'ignorância' traria a paz, a estupidez fica para dar alegria. O que digo é quê. Não quero ter que assumir responsabilidades que me deram, só porque nasci, para viver nesse mundo tendo que engolir toda a crueldade e infortúnios que há nele. A única razão para aceitar isso é o sentir prazer, mas eu não sei onde encontrar esse prazer, na verdade sei, mas já perdi... O que aumenta e mantem o nosso infortúnio é esse sistema maldito que se sustenta nas costas de gente ignorante (em relação ao que ele é)

Abi: - Deixando o papo de ignorância de lado, porque estou mais preocupado com você. Você não está querendo engolir "o patrão que ganha mais que o empregado" "o vazio das pessoas" "as diferenças e tal" eu acho que você não deveria se importar ao ponto de não aproveitar a vida. Há formas de obter prazer. Tenho que falar que você só tem 16 anos, têm muita coisa pela frente você pode praticar um esporte, conversar com amigos, comer, aprender um instrumento, uma língua, uma teoria, discutir. Se você não sentir prazer em nada do que a vida te oferece acho que você deveria ir a um médico por que isso pode ser algum problema

Bob: - desculpe... Pela preocupação causada. Há coisas pela frente inclusive mais sofrimento, vergonha e fracassos.

Abi: - sofrimento só vai ser causado se você der espaço para que ocorra, vergonha se você se importar com isso e fracasso é preciso. não vejo problema nisso, tem vezes que ganhamos, vezes que perdemos e assim vivemos conhecemos, tiramos lições disso.

Bob: - realmente, mas não há como ser sempre frio, fracassos são necessários, mas não ajudam quando você esta mal ou não há vitória.

Abi: - então velho tudo isso é a vida;

Bob: - a porcaria da vida.

Abi: - você está rejeitando a vitória por causa de algumas feridas que você vai obter

Bob: sim

Abi: - cara, estou muito lerdo hoje

Bob: - lerdo como?

Abi: sei lá, você me afetou – Abi se vira e serra os braços – você pensou de mais e agora eu estou pensando em uma coisa e já estou pulando para outra aí atrasa o raciocínio se não focar.

Bob: - afetei? Não pense besteira igual a mim ou não sofra por mim. Falando em lerdo liga pro Rita ai

Abi: - falar o que pra ele?

Bob: - diz pra ele que ele é uma bicha.

Gargalhadas...

Abi: - você não vai querer ir amanhã não, né?

Bob: - eu quero...

Abi: - eu também quero delicia.

risos

Abi: - Zuera cara. Eu já vou, diga-me confrade se irás.

Bob: - ‘to deprê’ de novo... Vai embora não.

Abi: - ok então, quem sabe qualquer outro dia.

Bob: - Se minha covardia não falar mais alto, seria vergonhoso não fazer

Abi: - que covardia cara?

Bob: - não ter a coragem de me... Você sabe. Se disse que faria tenho que fazer ou sou mentiroso levado pela covardia.

Abi: - não é por que você não tem coragem, nem mentiroso, você apenas não quer e acabou aí.

Bob: - não

Abi: - até mais

Bob pensa: Até mais...

 '*' '**'South Park