terça-feira, 9 de abril de 2013

Um Sonho



   Havia uma estação de trem ao qual eu aproximava-me. Eu saio do trem que tinha vários mendigos, sendo eu o único que não era um morador de rua, ou não parecia. O ponto em que desci era em frente da casa em Salinas, de minha tia I. Eu fui buscar você, sua mãe e sua irmã de 9 anos, eu ia leva-las para a estação de trem onde acontecia o programa do Gugu, nós formávamos uma banda e íamos tocar lá.

   O caminho até a estação era parecido com o da casa onde ficamos, em Salinas, até uma quadra de futsal que fica na praça, mas não era idêntico. Você não queria falar comigo, eu ficava perguntando-lhe o que havia acontecido, mas você se esquivava iniciando uma conversa com sua mãe. No meio do caminho vimos uma mulher e sua filha que parecia um chimpanzé, mas nem mesmo isso você comentou. Só falou comigo uma vez, quando um ônibus vermelho passou; você disse: - Por que não vamos de ônibus? Minha resposta foi com os ombros e mãos, dizendo não sei.

   Já em nosso destino, nós tínhamos que passar por uma prova antes de entrar no programa; era o seguinte, tínhamos que pular do lugar que estávamos para outro lado que dava acesso a uma porta pequena que levava ao programa, mas no meio havia um grande abismo, tão profundo que não se via seu fim. A primeira foi você, você passou a cerca e depois pulou, conseguindo atravessar com grande facilidade. Segundo foi sua mãe, ela quase conseguiu, mas caiu no abismo. Em uma parede estranha eu apertei um interruptor e ela voltou para meu lado, como em um videogame com botão de reset (recomeçar). Sua mãe em segunda vez, pulou e com um só pé do outro lado e o corpo pendendo para trás perdendo o equilíbrio, ela gritava: - Mariana me segura; mas você estava com o braço esquerdo abraçando a barriga e o direito levando a mão próxima à boca, como se estivesse refletindo sobre algo, então sua mãe caiu mais uma vez. Novamente aperto o botão, ela volta e nesta terceira vez consegue atravessar.

   Agora sua pequena irmã. Para começar, a cerca era maior que ela, então só conseguiu passar com a minha ajuda. Ela com medo e sem muita força para conseguir impulso, caiu várias vezes. Em sua ultima tentativa tentou usar a cerca como uma corda de ringue de boxe, com a intenção de conseguir impulso o suficiente para atravessar, mas caiu. Ela levou um tempo caindo... Mas quem se esborrachou no chão fui eu.

   Eu estava sem vocês. Lá em baixo era um lugar escuro, mas podiam-se ver facilmente outras pessoas e uma delas era o Gugu. Ele falou com o seu jeito característico: - pena que não conseguiram. Eu estava assustado, olhava desesperado para os lados, acho que procurando você. O Gugu continuava falando, enquanto isso, eu vi uma luz e corri até ela. A luz era uma porta, uma saída, perto dela dois homens discutem, falava de nossa banda, diziam que éramos descompromissados, não ligávamos para os fãs. Passei correndo por eles sem dá-los importância.

   A porta era em frente a um mercado, que fica ao lado de outra quadra de futsal. Você sua mãe e sua irmãzinha, seguiam para a praia. Eu tentei me aproximar de você, mas você correu para perto de sua mãe, esquivando-se de mim. Neste momento o caminho de pedras virou areia e areia em água até os tornozelos e o céu, agora evidente, estava nublado. Você veio até mim e nós quatro ficamos em dublas. Como nos olhos de quem ver alguém indo, nós dois estávamos do lado esquerdo e um pouco mais distante, à direita, sua irmã e mãe.

   Enquanto andávamos vi uma coisa na água, disse: - Olha Mari, um peixe enorme. Ninguém o tinha visto. Ao andarmos mais um pouco o vi novamente, reparei que nadou até um porte, sim um porte de eletricidade no meio do mar, mas com a água ainda nos tornozelos. Eu fui até o porte e cutuquei com uma vara a sua base. Nesse momento uma lacraia gigante saiu, em meio a gritos do bicho e de vocês três, ela nadou e sumiu após o desespero e enquanto ficavam assustadas, dois rapazes riam muito. Eu e um preto ousado que se enfiou no sonho alheio, o tal do ‘Vito’.