segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Rei e o Sacerdote

Acreditava, e ainda aceito, que "Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta."¹ E isso é verdade, mas de alguma forma os dogmas sempre lhe atingem. Recentemente passei por uma mágoa e tristeza profunda causada por um deles. 

Existem pessoas que levam sua crença em deus, até mesmo o cristão, sem as imundícies chamadas dogmas. Eu não defendo a existência da religião, e apesar de alguns adoradores dizerem que religião não é importante, sem ela Deus logo deixaria de existir, pelo menos da forma como o vemos. Os deuses de hoje teriam sorte em se tornar mitos apaixonantes como os gregos. Na realidade deus já é um ‘mito apaixonante’, porém vivo na cabeça do fiel e somente para o rebanho dele, e só não é tão apaixonante para mim, porque Zeus não quer interferir no meu modo de viver só porque o livro que meu vizinho guarda na estante da sala, diz que não devo ir trabalhar aos sábados e outras coisas completamente ridículas e desnecessárias para nossas vidas, diferente de um certo Jeová, que por ironia causa-me com sua suspeita inexistência mais danos e reflexões do que o meu próprio, e aparentemente existente, eu. 

O anticristo² está certo, não devemos ser compadecestes com as religiões, devemos tentar ao máximo convencer as pessoas próximas, só para começar, de que seguir uma religião, não exatamente Deus, é prejudicial a ela e ao mundo. Nenhuma religião, talvez possa excluir o budismo, conseguiu ou conseguirá melhorar nossas vidas, porque não cumprem com essa promessa e não há o desejo real de melhorar, é só uma promessa para atrair nosso ego, e através do nosso egoísmo (‘- viver para sempre, uau’) sermos levados a todo tipo de lorota e toda ação que se vissem de olhos honestos diria com horror na face: porque alguém faria isso? 

Às vezes, antigamente mais frequente e talvez ainda nas religiões tribais, nos tempos quando a natureza ao redor era um mistério, se recorria ao medo para manter um deus, manter uma fé viva, exemplo, o sacerdote dizia: se não fizer isso não choverá no mês que virá e nossa colheita será escassa. Vê o raio? É o poder de deus. 

Eu me pergunto, porque manter alguém em uma religião, fazendo promessas que para mim é possível que muitos sacerdotes duvidem da veracidade do que dizem? É simples, poder, domínio, controle. O poder político surgiu com os reis-sacerdotes. Reis reivindicavam o direito de governar por se dizerem filhos ou representantes e coisas semelhantes, de deus. Religião nasceu como instrumento de controle de massas, é mais uma arma que ilude o homem, que o torna alheio a sua ‘liberdade’, é mais uma corrente que nos prende a ilusões e mais um pano que tapa a verdade, somos escravos que trabalha pelo luxo de poucos homens canalhas e fazemos isso com um sorriso no rosto e os olhos na televisão. Digo “mais um” porque há, por exemplo, as ideologias e talvez outras coisas que minha falta de escolaridade e principalmente juventude não me deixe ver, sou aluno de ensino médio. 

Hoje há o estado laico. Pensando no jeito do George Carlin dizendo “Bullshit”, é isso que digo: calúnia! Pode até citar estados laicos, mas o que está em alguns? Ideologias, mas não é esse o caso. Não vejo o Brasil como um estado literalmente laico, se isso é possível, sempre há o poder da maioria lá enchendo, e às vezes para o político é preciso ceder aos canalhas do clero porque ele está consciente da importância da religião e ignorância, para manter o seu povo no caminho que ele quer e precisa para continuar como um rei. O Rei e o Sacerdote foram separados, mas ainda se apoiam e um depende do outro, talvez um mais do que o outro. 

Religião faz bem, mas só para sacerdotes e reis. Não é certo que mais pessoas chorem perdas, passem miséria, sejam injustiçadas, para resumir, sofram, por causa das consequências dos dogmas. Pessoas defenderiam que o caos iria reinar sem as religiões, já que a politica se apoia nela. Não acho, já falei das ideologias, mas não as defendo, e penso que uma sociedade pode sim ser livre, basta serem livres pensadores. De um jeito ou de outro, não vejo o que torna certo e aceitável que a religião continue fazendo vitimas, muitas vezes entre elas mesmas. 

Porém, outra questão surge e mais como uma barreira do que como pergunta. Sou covarde e não consigo dizer na cara de um velhinho de olhos simpáticos que o que ele carrega em seu coração é uma esperança vazia; como dizer a um drogado em recuperação que sua inspiração é falsa? (isso deveria ser trabalho da psicologia e não de deuses); como enfrentar um crente fervoroso ou um muçulmano radical? O medo e falta de ‘fé’ que as coisas mudaram, me levam ao vergonhoso silêncio, ficando as minhas palavras raramente a um seleto grupo e muitas vezes ao vento e meu quarto escuro.




1. Varella, Drauzio
2. Sam Harris