sábado, 20 de julho de 2013

Mudança de humor

   Sou um romântico, um tolo apaixonado, um alguém que conserva valores que morreram no século XVI, assassinado pelo capitalismo. Tudo bem, romantismo é uma merda, mas parece também que morreu o respeito e o “eu” prevalece sobre o “nós” ou “você”. Bom, não sei se isso é um problema, mas me deprime ir no sentido contrário ao rio, sinto que não tenho valor (dirão que não, mas só sinto).

   Meu primo hoje me fez pensar em como é o relacionamento, mostrou que a casualidade, a busca de um prazer efêmero quem sabe banal e até perigoso, é o que importa para muitos. O grito mor da minha cultura é seu prazer em primeiro lugar! e onde encontrar tal prazer? Muito dinheiro, objetos sem sentido, sexo e drogas. Isso que é vendido, isso que aparece na TV. Estou me perguntando se isso é errado ou se eu estou errado a me preocupar mais com meu intelecto, o bem estar de quem gosto dar carinho a quem tenho afeição e minha política de sempre estar sóbrio. Talvez eu pudesse ser os dois. 

   O primeiro ponto é o sexo, o que importa é comer as pepecas, o sexo apenas para meu prazer sobre tudo e todos. Tudo bem, pessoas podem escolher por uma vida sem compromisso, só que não é apenas isso. Quando ele diz que quer apenas sexo, ele não acaba por buscar somente alguém com mesmo intuito (o que é muito fácil) e esse já é o primeiro problema.  Nunca corri como um louco atrás de sexo sempre rejeitei prostitutas porque penso qual deve ser o motivo dela fazer isso, mas meus primos correm em uma disputa incessante atrás desse momento, o sexo, vejo às suas conversas com as garotas e enquanto na frente delas se mostram corteses e interessados em seu eu, por suas costas os comentários são de causar calafrios. Não estou dizendo que estão errados ao dizer olha que xoxotão ou vou meter a pica, mas acho terrível serem tão falsos e na frente delas de perceberem apenas seus corpos. É claro que por um momento me interesso por uma bela bunda, mas passa tão rápido quanto o tempo que leva para os olhos irem a ela. O valor de uma amiga é maior do que de uma gozada?

  Não só satisfeito em ter apenas sexo, os tais também adoram e se glorificam ao interferir no relacionamento alheio, quero meter minha colher nessa moqueca. Tudo bem, digamos que ter um relacionamento com apenas uma parceira seja algo sem sentido (isso que me pergunto), mas sabemos que alguém traído sofre (traição em qualquer tipo de envolvimento acaba machucando) só que mesmo sabendo disso, por um prazer momentâneo e vazio, uma pessoa acaba traindo sua parceira ou fazendo alguém trair. Já conheci muito dos argumentos que meus primos usam para tentar convencer alguém engajado em compromisso acabar se entregando a um momento casual e a bebida é um deles. Meus primos também tem suas parceiras e mesmo assim ainda procuram por outras, eu às vezes acho que essa necessidade de ter outras é imposta pelo grupo que frequentam, talvez eles nem queiram e no fim, quando seu relacionamento acabar por causa da infidelidade, os seus corações pesariam e seus filhos iriam chorar. Isso é uma imensa demonstração de falta de respeito. Em mim, se decidisse por várias parceiras ainda seria fiel a quem quer seguir o caminho de um relacionamento fechado para dois. Acho que a questão aqui é Por que causar sofrimento se posso arrumar sexo em outro canto?

  Segundo ponto, drogas. Precisamos nos divertir e alguns tipos de diversão acabam por viciar, seja ele videogame, álcool, maconha, cigarro, cocaína, punheta. Enfim, o problema da droga está no vicio, mas aqui há uma outra coisa. Ontem tomei todas to em uma ressaca! Até vomitei, sou foda. Nem gosto de tomar banho que a lombra passa e fico infeliz.

   Irei de início para os meus primos que bebem todos os fins de semanas e por todas as férias. Não tenho nada contra o álcool e em moderação ele é benéfico, mas uma coisa que bem evidente é que usam do álcool para perderem o seu eu, ficarem completamente loucos e vomitados. Vejo isso na TV, salve pânico! Vejo isso em meus primos. Tento entender qual o motivo de beber muito ao ponto de perder a consciência; as suas justificativas são diversão! Pois bem, resolvi dar uma de cientista e bebi para ficar louco e o resultado foi um garoto fedorento, azia, o gosto maravilhoso de vomito, sensações estranhas de mal-estar e uma dor de cabeça extremamente forte no outro dia, mas o pior de todos foi deixar de ser quem sou, por sorte não fiz besteira alguma. Depois disso eu nunca mais bebi, nem se quer uma gota, prefiro a diabetes com meu refrigerante. Entendo quando alguém bebi muito para esquecer seus problemas, mas acho estupido até porque o problema sempre estará lá o forçando a fugir através do álcool e indo cada vez mais para o vício, mas por que jovens que “não se preocupam com nada” bebem tanto? Por que isso os dá prazer? Por que eu não sinto esse prazer? Acho que talvez seja preciso para ter histórias emocionantes para contar, as histórias de meus primos estão em volta de uma garrafa de vinho. Também pode ser para participar de um grupo. Uma das piores coisas nesse vício é que ele destrói famílias, a saúde dos jovens, causa mortes no transito e em brigas, mas ninguém parece se importar.  Onde alguém quer chegar ao beber muito, mas tanto ao ponto de perder a consciência? Se matar e matar alguém?

   A droga é estranha porque ela não diz somente meu prazer primeiro, aparentemente não interfere no “eu” dos outros e poderia até não ser um problema, mas as pessoas tornam esse pensamento uma ilusão. Quando a droga causa o vício, famílias vem a sofrer e isso pode ser de forma direta, como um filho que deixa tudo para usar crack ou indireta, como um bêbado que atropelou e matou alguém e causou sofrimento a uma família. Não me importo se alguém arruína a si mesmo por usar drogas, foi a escolha dele, mas a droga toca outros. Repudio o álcool e drogas que mudam comportamentos por mudarem quem sou e também por coisas tipo: violência familiar, doenças e mortes no transito. Não sei se vale a pena utilizar de forma exagerada coisas que podem causar muitos males, mas fica claro que o dinheiro e o meu canto feliz vale mais que qualquer outra coisa. Independente de qual seja, acabamos por recorrer a nossos vícios para ter prazer, na verdade o vício é a busca cada vez mais exagerada pelo prazer que algo proporcionou.

   Terceiro, o “ter”. Esse já vi muito, talvez tivesse muito a dizer e pouco a perguntar, porém me faltam exemplos e esse também pode fugir da responsabilidade de um. -Pow azuado usando camisa da pena! - Pena? Nem sei o que é isso.

   Ter coisas, em si isso não é um problema até virar uma obsessão, mas onde o “ter” entra no que diz respeito ao respeito ao próximo, rsrs. O capitalismo em si é isso. - você precisa ter! não é o que diz a propaganda? Essa vontade de ter acaba às vezes levando pessoas a fazer coisas que irá causar transtornos ou infortúnios a alguém. Sim, é o roubar e o matar (transtorno e infortúnio) Isso também pode ser de uma forma direta, eu quero isso então vai lá e pega ou indireta, eu preciso disso então vai lá e pega. No caso do eu preciso disso digo indireta porque como todo mundo sabe que o sistema em que vivemos causa a miséria e esse sistema é baseado no lucro e lucro vem se nós compramos as coisas que vendem (comprar => ter). Uma outra forma do “ter” se tornar um problema é quando isso vira um vício e vícios sempre causam problemas. Problemas que só não sei até onde ele vai e quem será atingido. Hum, complicado não?

   Falei no segundo ponto do “meu canto feliz” e essa é uma das coisas que dizem, eu quero é ser feliz, mas o problema é achar que eu não interfiro e moldo o ambiente, que ações que nos deixa felizes apenas hoje, mas amanhã fode uma família inteira não é algo que contribui para um mundo melhor, com menos sofrimento. Talvez fossemos mais felizes se o bem do “outro” também importasse para o bem do “eu” (o que eu penso que seja verdade).