quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A Trindade do Ódio (Injustiça)

Injustiça

A Trindade do Ódio


   Não odeio ninguém, mas já odiei e passou. Essas três condutas são as coisas que conseguem ou um dia conseguiu despertar esse demônio perigoso chamado ódio, ao menos o vejo assim. Não consigo lembrar de quando me senti injustiçado, mas já ocorreu. A injustiça dói, cria a raiva e a vontade de vingança (justiça), e talvez o ódio.

    A INJUSTIÇA: Receber algo inferior ao merecido. Como dizem os dicionários: é a falta de justiça. Não ganhar o que é de direito ou esperado.

   A injustiça pode resultar em raiva e o desejo de destruir algo ou amargura e a tendência a destruir a si mesmo, com as consequências a depender de até onde vão as emoções raiva e amargura. Ela (a injustiça) expõem aos olhos a realidade de que o indivíduo é frágil, o lembra de que não tem tanto valor quanto pensa, daquela velha história do universo imenso para o pequeno homem menor que um grão de areia, mostra que não é especial, ao menos não como seu ego queria.

  A justiça seria a forma de retomar o sentimento de valor. Se alguém tem o filho assassinado quer o bandido preso não porque terá seu filho de volta, mas se o bandido estiver preso ele não fará o mesmo com outros e traz um sentimento de que se é importante e valorizado pelo seu grupo, estado...

   A injustiça leva a raiva.  A raiva talvez apareça para levar o indivíduo a reagir e buscar o que diria ser justiça. A raiva vem para uma atitude imediata, talvez para nem deixar o ego ser ferido, na ira um homem traído pode matar o amante de sua mulher e se sentir potente. Ou a injustiça causa raiva porque também ataca o ego, traz a sensação de falta de valor ou até fragilidade, perde-se um “sentimento de potência”, daí, mais uma vez, vem a vingança como forma de sentir-se potente novamente. A raiva parece vir do sofrimento e surge para criar a vontade de se recuperar, ignorar de certa forma a realidade da condição humana. Ela acumulada faz nascer o ódio.

   Vingança é justiça, mas justiça não é necessariamente uma vingança. A vingança dá a entender que e algo planejado e que consumira de alguma forma quem pensa nela, seria um plano que busca a justiça quando se odeia alguém ou algo. Ela só pode surgir quando a consequência é a raiva, mas não quando a injustiça causa angústia.

   Quando o injustiçado cai em aflição ao invés da raiva, ele se torna apático em relação a injustiça ocorrida, pode perder a vontade de buscar o que é seu, fica com a ideia de se ela vier é bom se não vier tanto faz, isso porque aceita que não é especial, talvez de forma extrema. Se a amargura não for exagerada ele busca pela justiça, mas de forma diferente, sem o ódio, talvez aparentando sem energia.

   A ingratidão também pode ser considerada uma forma de injustiça. Por exemplo, uma mãe que faz tudo pelo filho e não recebe seu reconhecimento e sim grosseria da parte dele quando o esperado seria gestos de apreço e agradecimento, recebendo o contrário do que se esperaria soa como injusto. Não vejo o exemplo da mãe causando o ódio, mas a relação entre patrão e funcionário poderia resultar em raiva dando espaço ao ódio e a vingança.

   Talvez todos não queiram se sentir fraco, apesar de alguns o ver como uma virtude. Observando o ódio como único problema a injustiça não é tão formidável quanto a traição, algumas pessoas se irritam com dificuldade o que é meu caso, eu estaria mais para deixar quieto, mas podem se encontrar, um ser a causa do outro (a traição causar o sentimento de injustiçado), ou terem caminhos semelhantes. Além disso tem tanto poder de destruir alguém quanto a traição, através do vazio que poderia causar (se realiza que está só e é mais fraco que pensa), porém parece que a injustiça leva a tristeza menos do que a traição.