quinta-feira, 3 de outubro de 2013

III - A Fúria Negra



CONTINUAÇÃO


pokemon 135 by Akarui


   Alexandre e Cláudia conversavam em um restaurante. Observam tudo que se passa por fora, através de uma vitrine. 

- Tive um sonho estranho, Alê. 
- O Arthur de novo minha branquinha? Precisa resolver essa paixonite logo.
- Paixonite? Se respeite seu preto. Ele estava com problemas, me deixou preocupada, então, sonhei com ele.
- Sim, preocupação demais, mas continua.
- Sonhei que andava por uma floresta e eu seguia por uma estreita trilha...

   Claudia segurava um bastão maior que ela. Se esgueirava com facilidade entre os galhos já que tinha o corpo esquio e pequeno. Estava escurecendo quando chegou em mata aberta.

   O local parecia ter passado por um recente incêndio. A frente de Claudia havia uma espécie de altar, bem simples, uma mesa de pedras negras com inscrições estranhas e sangue por cima. Claudia ficou parada uns instantes e segurava cada vez mais firme o bastão, fechou os olhos com força, como se engolisse uma cólera, uma raiva que despertou com um grito “sua desgraçada” e com toda fúria e força saltou e golpeou o altar que se partiu inteiro. Seu cabelo loiro caiu sobre o seu lindo e perfeito rosto. A sua fúria virou expressão de desprezo: - rum! É isso que merece.

   Já era muito tarde e ainda não havia aprontado o acampamento então fez apenas uma fogueira e comeu umas maçãs que estavam na bolsa. "Acorde! Acorde!" Era manhã quando essa voz ecoou. Ela acordou em uma jaula e estava sendo levada por criaturas esquisitas. Alguns eram lobos e alguns felinos, todos bípedes e de estatura humana.


- Hã? Mas o que é... - Cale a boca sua gleidiana maldita. Como ousas destruir o templo ao ódio?! – disse o baixo estranho ser marrom que a cutucava e acompanhava à carroça que a puxava.
- Ei! Me soltem! O que querem?
- Vai pagar por seu crime.
- Máximos. Deixe o bicho em paz. – soou uma voz paciente e madura que parecia ser do condutor.

   Claudia seguiu viajem tentando escapar, mas em vão. A expedição cruzou uma estreita floresta até chegarem em um local com imensas árvores. Essas árvores pareciam ter habitações ao longo de seus troncos e nos grossos galhos. E eram,porém a sua cidade parecia ser principalmente embaixo, com várias casas de campo comuns e bares ou lojas. 

   A caravana parou. Um velho lobo entoou um cântico e com seu bastão para no ar fez a raiz de uma árvore se abrir onde Claudia foi imediatamente jogada e trancafiada. Dois guardas foram a sua única companhia até a noite cair.

   Vários daqueles seres, aparentando terem muita idade, apareceram e atrás deles um grande grupo com tochas. Claudia foi retirada da jaula e ficou sob guarda de um enorme felino bípede:


- Silencio – disse um velho lobo branco para o grande público – Criatura... decidimos o teu destino. Tu violastes o templo sagrado ao ódio, destruindo o portal sem nenhum respeito e piedade aos costumes. Condeno-te a morte pelo selo do dragão Sin. Ela gritou a sua defesa em meio aos berros de satisfação e ódio dos seres estranhos, mas não foi ouvida.

O guarda estende a mão dela. O velho pega com suas mãos uma pedra e põe sobre a palma de Claudia que grita como se aquilo fervesse em sua pele. O velho retira a pedra, a dor passa. Claudia olha para a sua mão e vê uma marca que volta a queimar; ela volta a gritar, mas não de dor e sim por ver todo o mal que já havia causado. Seu corpo começa a escurecer a partir de sua marca até ela ficar completamente obscurecida, como se tivesse sido queimada, e então caiu virando pó, esmigalhando-se.



- daí, então, eu acordei.
- Sabe? Adoro quando cria estórias só para me entreter. Amor escondido...
- Ah! Tá. O estranho nem é a estória e sim a marca.
                                                                                                                                                                Claudia mostra a sua palma a Alexandre. Era o desenho de uma criatura alada, branca, de 4 olhos, esplêndida. A atenção e curiosidade de Alexandre só é quebrada por estranhos tremores.