quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XV)

Ainda não terminei a estória, todavia acredito estarmos no meio do caminho. Se você gostou dos capítulos anteriores então sugiro que continue acompanhando (sugestões são sempre de bom grado). José Carlos


CAPÍTULO XV – DÁDIVA DO AMANHÃ



Começamos nossa viagem em direção à Victoria – ao oeste de Osroath – com o intuito de realizarmos nosso objetivo. As irmãs caminhavam juntas enquanto eu investia um pouco da minha atenção nas belas paisagens do caminho.

- Você é calado assim mesmo? Indagou Saoru, tentando puxar assunto.
- Mais ou menos, mestra.
- Não seja tímido, garoto! Kataru sorriu.
- Mantenham o foco, por favor. Um relatório satisfatório é garantia de relíquias poderosas.
- Já olhastes ao redor? Estamos em uma aventura!
- Chame do que quiser, garota. Não dou a mínima.
- Só consegue pensar em poder? Kataru demonstrava sinais de irritação.
- No momento é a única coisa que realmente possui importância, ao contrário deste seu discurso medíocre e irritante.
- Como alguém assim pode ser escolhido pelo Etherium?
- Engraçado. Acabei de pensar o mesmo. Se quiser te mostro o porquê aqui e agora!

Saoru interferiu ao sentir o clima tenso reinando no ar. Parece que a rivalidade de oito capítulos atrás ainda queimava dentro dos jovens. Cruzando o horizonte desconhecido finalmente chegaram à Glasnost, capital de Victoria, famosa no mundo transcendental por seu fantástico aparato culinário. Decidiram parar em um restaurante para discutir os detalhes da missão bem como apreciar alguns pratos:  

- Segundo a descrição há suspeitas da atividade de possíveis membros da Cúpula Negra nos arredores.
- Uma reunião ou algo do tipo? Perguntei.
- Isso é o que devemos descobrir.

Mais tarde fomos até a região montanhosa do local – suposta base operacional inimiga – quando avistamos ao longe alguns seres usando capas pretas. Tentamos a aproximação silenciosa visando averiguar melhor a situação:

- É Orochi, ele está ali. Mas quem são os outros dois? Disse Saoru.
- Também não sei. Vamos apenas observar, por enquanto.

No cume da montanha os seguidores de Ashtar conversavam:

- Precisamos encontrar um método eficiente. Aquele reino maldito deve sucumbir!
- Paciência, meu caro. Não podemos simplesmente organizar um exército e atacar. A questão não envolve apenas estratégia. A oportunidade é um excelente trunfo se usada corretamente (ui, moleque filósofo).
- Aqueles Overlords representam um problema e tanto, principalmente a Vashirah. Os boatos sobre o poder oculto dela...
- Ela não é de nada!
- Seu tolo!  A pauta do assunto é a mulher que expulsou sozinha o próprio Imperador de Arthius!
- Isso sem mencionar os “olhos”.
- Sim...
- E se procurarmos alianças?
- O prestígio deles é deveras considerável. Ademais, nenhuma facção deseja afundar a reputação na lama juntando-se conosco. Orochi detinha certa propriedade nos pronunciamentos.
- Com a cooperação da Lilith seria fácil, pelo menos...
- Não é sua relíquia suprema, mestre?
- Era. Desvinculou-se de mim após a rebelião (sim, relíquias possuem vontade própria). Aprisionei-a num denso abismo longe daqui como punição.

Os tagarelas sentiram a intenção assassina da Saoru e acabamos descobertos:

- Parece que temos visitas. Mostrem-se, intrusos!
- O que faremos, Orochi?
- Deixem comigo. A reunião acabou, dispensados. Encarregar-me-ei de entreter nossos convidados.

Os estranhos desapareceram em raios negros, ficando apenas o antigo Overlord:

- Ouvindo conversas alheias... Coisa feia, tsc.
- Soa até engraçado partindo de um traidor! Disse.
- Então as mocinhas querem lutar? Pois bem.
- O que está esperando? Paralisou de medo? Falou Saoru, já com sua espada em mãos.
- Não precipite-se, irmã! Ele fora seu tutor em outrora. Devemos trabalhar em conjunto. Proferiu Kataru, claramente preparada.
- Nunca pensei que diria isso mas concordo com a Kataru. Vou adorar espancar esse baitola (homofobia mimimi)!

Um grande embate terá início? Qual será o resultado?

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XIV)

Relatem caso presenciem possíveis erros (reviso os textos diversas vezes, entretanto a perfeição é uma dádiva longínqua).
- José Carlos


CAPÍTULO XIV – OS MESTRES




Os Overlords avaliaram o desempenho dos participantes no torneio. Apenas Hallstar foi reprovado. Após a cerimônia de aprovação nos convidaram à Égide Holística - local onde acontecem as reuniões entre as altas patentes – para conhecermos mais sobre a gestão do clã e afins.

Uma imensa mesa redonda ficava no centro do local. Os Guardiões eram tão metódicos que os tronos variavam de aparência e tamanho em conformidade com a graduação do indivíduo, sendo que os membros tinham os nomes gravados em seus respectivos lugares.

Vangladius deu início comentando acerca de políticas bélicas, alianças, planos de desenvolvimento, termos administrativos e a visão geral das outras facções em relação ao reino. Saoru complementou acerca da dificuldade presente nos novos objetivos e da dedicação necessária visando cumprir tais tarefas.

Depois de um extenso compartilhamento de ideias fomos até o salão de confraternização descontrair um pouco. Nunca fui de conversa fiada, então fiquei em uma das janelas apreciando a vista. Para minha surpresa os Overlords vieram me cumprimentar:

- Ora, se não é o espadachim manipulador! Exclamou Vangladius.
- Olá, senhor. A visão daqui é ótima...
- Senhor? Formalidades são desnecessárias. Somos todos poeira das estrelas! Vangladius riu.

O Grandmaster usava uma capa preta e uma máscara, deixando apenas os olhos – que mais pareciam vórtices – transparecerem.  Possuía uma notável altura, beirando os dois metros.

A Vashirah exibia belos fios castanhos, trajando um longo vestido dourado. Uma venda branca com inscrições aparentemente bloqueava seu campo de visão. Dotada de uma indescritível beleza, cobiçada por grande parte dos Guardiões. Sua fala serena demonstrava proporcional delicadeza e inteligência, justificando o cargo de estrategista do clã. O verdadeiro nível de poder dela é uma incógnita deveras misteriosa (boatos afirmam que ela é uma Entidade que optou viver em um plano alternativo, precisando assim controlar sua força para não destruir universos inteiros).

Lá também, “Ice” – seu nome mesmo era Sophitia – com profundos olhos azuis e cabelos brancos. Sempre portando armadura e espada glaciais. Conhecida por sua frieza e crueldade perante aos adversários.

Saoru encarava-me seriamente. Estava de uniforme preto. Avistei uma garota sentada ao fundo do salão:

- Quem é aquela? Logo perguntei ao líder.
- Ah, a Shienn? É a nova Overlord. Não é muito sociável, porém bastante habilidosa. Uma Nephilim formidável!
- Então a presença no templo...
- O que tem esse lugar?
- Nada, esqueça. Grato pela informação.
- Disponha.

A novata tinha um penetrante olhar rubro e fios negros. Segurava um cajado cheio de olhos e um ornamento cobria sua testa. Sinistra até os ossos.

- Pelo visto és o único homem dentre os mestres...
- Haviam mais. Uns foram destruídos em combate, outros atualmente são “Darklords”.
- Darklords?
- Sim... Seres poderosos, leais aos ideais de Ashtar. Constituem o alto escalão da Cúpula Negra.
- E quantos deles existem?
- É justamente isto que investigamos. Ainda não sabemos ao certo, todavia acredito estarmos próximos de uma resposta concreta. Melhor assim, quem não gosta de um harém? Vangladius riu.

Após a confraternização outra reunião foi realizada para a definição dos times. Blossom e Asuka ficaram sob a tutoria da rainha, enquanto me direcionaram ao grupo da Saoru e de sua irmã. Outros Elites já preenchiam vagas em outras equipes, contudo os mesmos se ocupavam em missões.

Aprendi acerca dos critérios envolvidos nas tarefas diversas. Éramos encaminhados de acordo com nossas especialidades. Meus objetivos, em suma estratégicos, englobavam coleta de informações, infiltrações silenciosas e coisas do tipo. Tudo tornara-se complicado e deveras diferente da minha época de soldado com simples afazeres de vigia, entrega e reconhecimento. Um mísero erro poderia custar minha vida...


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Será Maori vítima das peripécias do acaso?

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XIII)

Olá, senhores. Adianto-lhes que este é o último ato da saga do torneio... Espero que tal desfecho corresponda às expectativas. Estamos próximos de uma parte da história que particularmente adorei fazer, ficando muito satisfeito com o resultado. Tentarei abordar os elementos criados com maior profundidade, reforçando os alicerces que sustentam toda a trama.Sei que meu intuito aqui é ajudar, todavia agradeço ao Felipe-sama pelo espaço pois não sou nenhum escritor profissional... rs


CAPÍTULO XIII – A CHAMA IMORTAL




- Lutarei com tudo! Asuka ergueu a mão e invocou Ryujin, sua espada de Etherium flamejante.
- Não pode ser! Isso... é uma relíquia multiversal!
- Sim, um artefato geralmente obtido através das missões da facção o qual concede habilidades únicas ao usuário.
- Mas na maioria dos casos apenas aqueles que beiram a sexta ou sétima aura conseguem usufruir de tal ferramenta. Como é possível?
- Gostou? É a minha primeira!

A maldita enganou a todos, escondendo um poder desenvolvido precocemente. Se antes ela era motivo para preocupar-me imagina depois dessa cena.

O confronto final teve início. A plateia estava eufórica, com boas expectativas da luta. Acompanhava a velocidade da Asuka tranquilamente, mas aquela arma deveras problemática acentuava uma desvantagem. Acabei levando alguns cortes superficiais no prólogo do embate.

- O que foi? Já se feriu? Mal aqueci ainda. Disse Asuka, com um olhar de provocação.
- Apenas testando seu poder de ataque. Pode vir quente que eu estou fervendo! (Piadinha lixo, eu sei)
- Maori, escute-me! Essa garota é pior do que pensávamos. Precisará de ajuda.
- Em boa hora, mascarado. Como irás auxiliar-me?
- Entrei em consenso com o ego e decidimos interferir diretamente.
- Sim, mas como o farão?
- Logo verás!

O meu Etherium começou a reagir violentamente, ofuscando minha visão. Duas magníficas espadas apareceram diante de mim.

- Guardamos um pequeno segredo: somos relíquias!
- Quem diria... Agora transbordo confiança!

Peguei as armas e não senti dificuldade em manuseá-las, muito pelo contrário. Pareciam extensões dos meus braços.


- Alteramos sua propriedade corpórea, convertendo tudo em puro Etherium. Colocamos também uma armadura em sua pele visando anular danos externos. Finalmente ampliamos a capacidade defensiva, fazendo com que sua Essência te proteja automaticamente.
- Grato, senhores. Agora a porra ficará séria!

Pela primeira vez Asuka mudara de expressão. Mesmo com tantos recursos novos nossas forças ainda eram equivalentes, visto que ela ainda não se transformara.

- Parece que perderei se pegar leve. Vamos nessa!

Um gigantesco tornado de fogo cercou a arena de combate. A ruiva falou sério em não facilitar...

- Preparado?
- Nossa... Se você tiver tanto fogo assim na cama caso contigo agora! (História minha sem piada escrota não vale kçkçkç)
- Espero que mantenha esse senso de humor para engolir sua derrota!  

Começamos um intenso duelo de espadas. Elevamos ao extremo nossa vontade de vencer, tornando aquele epílogo competitivo num intenso “frenesi”. Doze horas haviam se passado e não mostrávamos sinal algum de cansaço.

- Ninguém nunca pressionou-a tanto. Proferiu Blossom, surpresa com tamanha atmosfera.
- Isso nem parece um conflito entre candidatos ao nível Elite... Incrível! Gritou um rapaz na multidão, tomada pela euforia.
- Que tal acabarmos com isso? Já me diverti o bastante por hoje.
- Que seja feita a tua vontade, senhorita.

Uma enorme esfera de pura energia se distorceu, criando uma cratera na arena. A luta foi abruptamente interrompida pois a arquibancada corria risco de ser atingida. O empate técnico seguido de aclamação pública encerrou o evento. Asuka teve espírito esportivo e agradeceu pela diversão, dando um aperto de mão amigável.

- Poderíamos repetir a dose um dia desses, que tal? Ela sorriu discretamente.
- Só luto quando necessário, mas obrigado pelo convite. Retruquei.

Palmas estrondosas tomaram conta do local. Os Overlords comentavam em demasia, demonstrando considerável satisfação. Minha promoção era evidente. Após chegar tão longe indagava-me sobre a musa chamada amanhã e seus segredos...

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Qual caminho tomará Maori? Continuará ele servindo aos ideais de Arthius ou algo mudará seu destino completamente?

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XII)


CAPÍTULO XII – CONHECENDO A ESCURIDÃO



- Agora que estamos aqui no templo podemos conversar.
- O que a senhorita deseja saber de mim?
- Muito engraçado, transbordei em risos. Deixando de lado as brincadeiras... acho que pode me dar uma força.
- Certo, mas antes devo te mostrar uma coisa.

Fomos para um local com construções distorcidas, relevos irregulares e terras exacerbadamente áridas. Uma forte e incessante chuva banhava o lugar sem vida.

- Apresento-lhe o lado adverso da sua mente. Gosto de ficar aqui pensando por causa do clima chuvoso, muito agradável por sinal.
- Interessante. Sobre a luta de amanhã...
- Ah, sim. A ruiva perigosa. Ajudarei, mas isto será apenas possível caso faça tua parte.
- Como assim?
- Pare de bancar o idiota, cara. Sou sua insanidade, seu ego. Se tentar controlar meu poder sem o devido preparo corres o sério risco de perder a razão perpetuamente.

Treinamos exaustivamente. Ele ensinou-me técnicas perceptivas e elevou minha capacidade réplica, permitindo o aprendizado de qualquer habilidade detectada. Seu rosto era assustadoramente idêntico ao meu. Trajava uma calça preta. Correntes com as mesmas inscrições do mascarado prendiam suas pernas e braços. Parecia uma versão marombada minha, só que com cérebro (o choro é livre, camarão Hu3Hu3Hu3).

Conseguia sentir a presença de outra pessoa no templo, porém ela saiu do meu alcance antes que eu pudesse fazer algo para encontrá-la. Fiquei deveras intrigado. Haveria outro Nephilim em Arthius?

Estava empenhado em vencer aquele torneio, não importando quantos torciam contra. Decidi caminhar pelo reino. Achei uma floresta ao fundo do castelo onde uma marejeira (capítulo quatro, lembra?) enorme fazia sombra e repousei por ali, colocando os pensamentos em ordem enquanto o amanhecer não chegava. Perdido em indagações senti uma mão tocando-me o ombro:

- Pensei que eu fosse a única que costumava frequentar esse lugar.

Olhei atentamente, admirando todos aqueles fios avermelhados. Seu rosto belo e enigmático encantava-me.

- Olá. Pois bem... Meio que acabei aqui por obra do acaso.
- E o nosso confronto amanhã? Treinaste bastante?
- Sim, não devo te subestimar.
- Pois saiba que a recíproca é verdadeira. Sua habilidade de manipulação é notável.
- Por que não está com as outras garotas?
- Falando de vestidos e fofocando? Não, obrigado. Prefiro ficar sozinha.
- Entendo.
- E você, garoto? É uma atitude contumaz dos caras daqui frequentar as tavernas afim de papear sobre mulheres e feitos heroicos.
- Gosto de silêncio e solidão, nada contra eles. Também bebo pouco.
- Vejam só! Não enfrentarei um depravado social. Disse Asuka, rindo.
- É o que parece.
 - Não sou de simpatizar com os outros, mas é difícil encontrar alguém por essas bandas.
- Talvez tenha sentido vontade em estabelecer comunicação visando coletar alguma informação útil. É o que eu faria.
- Excelente colocação. Sempre tens esses lapsos intelectuais?
- São raros. Ocorrem apenas quando estou acordado.
- Senso de humor inteligente, gosto disso. Bem, vou dormir. Cuide-se e boa sorte. Prazer em conhecê-lo.
- Igualmente.

Depois daquela conversa ela não parecia mais tão ameaçadora. Foi até deveras educada para quem tentaria socar minha cara no dia seguinte.

Eis que a hora da final é anunciada. Uma arena especial foi construída no centro do castelo. Asuka não desviava o olhar por nada. A frieza nos seus olhos intimidava em demasia. O caminho não possuía retorno.

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Conseguirá Maori vencer a ruivinha sapeca?

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XI)

Bem, aqui estamos em mais um capítulo (ainda me pergunto como fiz um sonho render tanto rs). Já comentei o quanto é difícil descrever uma luta? ;-; Enfim, direto ao que interessa...
- José Carlos


CAPÍTULO XI – DUELO FANTASMA




- Vamos dar início ao segundo confronto!

Hallstar era favorito. Ninguém realmente acreditava que um humano chegaria ao nível Elite. Já estávamos posicionados no centro, com a torcida gritando o nome do meu adversário. Era um pouco frustrante pelo barulho. Não dava importância por torcerem contra mim.

Vangladius autoriza o começo da luta. O momento de testar meu potencial havia chegado. Primeiramente fiquei na defensiva, analisando o estilo de combate e as técnicas do meu oponente. Ele não era muito veloz, mas tinha uma força colossal. Um golpe certeiro seria deveras problemático.

Procurava uma abertura para um possível contra-ataque. Quando pensei tê-lo atingido com a guarda baixa fui surpreendido com sua habilidade especial, a conversão metafísica, onde o usuário transforma todo seu corpo em Etherium e altera sua propriedade, tornando-se intocável como um fantasma. Só que aí reside o grande trunfo: ele ainda podia golpear-me, caracterizando uma vantagem considerável em demasia.

O desgraçado acertou-me em cheio no estômago. Voei uns vinte metros até desabar no chão. O público foi ao delírio. Olhei para a bancada onde estavam os Guardiões... Asuka esboçava seriedade, como quem esperava mais de mim. Vangladius tentava me encorajar.

- Deves descansar um pouco. Precisamos conversar.
- Quem é você e que lugar é esse?
- Já nos falamos antes, Maori. A diferença é que agora consegues me ver. Aqui é sua mente, pelo menos em uma parte dela.

Meu subconsciente trajava uma capa preta. Seu rosto era coberto por uma máscara cheia de inscrições esquisitas.

- Só um momento... Se estou contigo então o cara lá fora lutando...
- O seu ego. Ele é a representação viva das sensações acumuladas durante os momentos adversos: ódio, rancor, desprezo, raiva...
- Acho que já saquei. Vocês são como forças opostas que mantêm o equilíbrio das coisas neste “mundo”, certo?
- Exato. As tendências impulsivamente destrutivas do ego são suprimidas em suma pela razão. Isso aplica-se também aos outros, obviamente. Cada ser é um multiverso resultante dos seus próprios conflitos existenciais entre o primitivo e o racional, em termos simplórios.
- Faz sentido, pois os que não valorizam a razão geralmente são mais imbecis e ignorantes.
- Por enquanto é o bastante. Pedirei para o ego retornar e nos relatar acerca de algo útil para o nosso triunfo.

Encontrava-me novamente na arena. Parece que meu lado obscuro “segurou as pontas”.

- Preste atenção, donzela! Talvez manipulação seja eficiente contra Hallstar. Esse cara é meio retardado. Proferiu uma voz idêntica à minha, só que em um tom rouco.
- Ah, tentarei isto então. E donzela é a sua irmã, seu viadinho (homofobia mimimi). Depois trocamos ofensas, temos uma luta para vencer.

Meu oponente veio com tudo, apostando em um golpe direto. Aproveitei o momento e usei uma técnica ocular de controle mental.

- Eu... desisto!!!

A multidão ficou chocada com o grito “dele”. O silêncio imperou.

- Chupem essa, filhos da puta. Fiz um sinal mandando a plateia permanecer calada.

Grande parte dos Guardiões olhavam-me espantados. Vangladius sorriu, certamente ciente do que ocorrera...

- Está vendo, Vashirah? Aquele garoto possui talento. Manipulou totalmente o Hallstar, fazendo-o jogar a toalha. Não ficarei surpreso se em pouco tempo ele ascender ao nível Overlord.
- Sim, Vangladius... É realmente um híbrido formidável. Observarei atentamente seus passos.

Um intervalo de um dia foi concedido para os preparativos da grande final. Decidi ir ao templo refletir um pouco e ter uma conversa com meu ego.

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Quais serão as novas descobertas? O que o lado sombrio tem a dizer?

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (X)

CAPÍTULO X – FÚRIA DE ELITE



- Peço-lhes que apresentem-se à plateia antes de definirmos as chaves. Digam seus nomes e respectivos étimos.
- Sou Hallstar, residente de Irinnen – cidade situada na Província-Estado de Osroath, ao sudeste de Varsaroth. Conhecida por seus templos em homenagem aos seres honrados que pereceram em batalha lutando por seus ideais – e é um prazer estar aqui.
- Chamo-me Blossom. Oriunda do planeta Naturia, lar dos quase extintos guerreiros elementais.
- Olá, senhores. Meu nome é Maori e tenho Sedna como origem.
- Asuka... Também de Naturia.

Depois da abertura solene dos candidatos o torneio foi organizando da seguinte forma:

1º Luta – Blossom VS. Asuka
2º Luta – Maori VS. Hallstar

- Combatentes, favor irem ao centro da arena. Antes de autorizar o começo do confronto mencionarei algumas regras básicas:


O embate apenas termina em caso de desistência, incapacitação ou morte.

Vocês são Guardiões, não covardes. Golpes baixos serão passíveis de desclassificação imediata.

Após mencionar o regulamento Vangladius desejou-nos sorte. Estava ansioso para ver as garotas lutando... De um lado Blossom: armadura encrostada de Etherium esmeralda (o elemento molda-se de acordo com o usuário, lembra?), cabelos verdes bem lisos e olhos cor-de-mel. Aparentava uns treze anos...

Na ponta oposta Asuka – essa dava medo só de olhar – com seu equipamento flamejante, cabelo ruivo e olhos vermelhos. Acho que tínhamos a mesma idade.

Com as competidoras já posicionadas o combate teve início. O silêncio tomou o lugar. Asuka encarava sua adversária com uma expressão assassina, enquanto Blossom a provocava. 

Bastou um mero piscar de olhos e ambas já trocavam golpes. A intensidade prendia a atenção de todos. Eu analisava minunciosamente os movimentos delas como uma antecipação, pois caso passasse da primeira batalha certamente enfrentaria uma das guerreiras de Naturia.

No clímax do confronto Blossom pareceu encontrar uma abertura na guarda de sua oponente, paralisando-a com uma técnica de manipulação. Suas unhas afiadas cresceram ainda mais, adentrando no braço de Asuka que entrou em processo de putrefação.

- Esta habilidade é realmente problemática, porém contra mim não adiantará muita coisa. Asuka arrancou o braço podre, reconstruindo rapidamente outro no local do antigo.
- Já estou de saco cheio desse seu ar de superior! Vamos acabar logo com isso!
- Como quiser...

As duas elevaram-se ao máximo. Tudo foi envolto por chamas e o ar ficou tóxico ao ponto de aumentar sua densidade. Em estados de transformação elas lutavam violentamente, medindo suas forças. O imenso atrito distorceu o espaço ao redor, criando um vácuo. A energia liberada causou uma explosão, arremessando-as longe.

A arquibancada novamente se calara. As guerreiras estavam caídas. A impressão categorizava um empate, até que Asuka levantou como se tivesse sofrido um simples empurrão.

- Fogo incinera natureza, burra!

Talvez esse detalhe serviu como passaporte para o triunfo da princesinha chamuscada. O povo parabenizava a vencedora enquanto a equipe médica de prontidão reanimava a derrotada inconsciente. Ice parecia satisfeita ao testemunhar o poder de suas conterrâneas. A preocupação residiu em meu ser. Aquela ruiva era uma ameaça a se considerar e eu ainda tinha uma luta a mais...

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Conseguirá Maori um desempenho satisfatório? =)

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (IX)

Confesso que este arco representou um desafio e tanto para mim: alguém, completamente desacostumado a elaborar contos, ter de criar mudanças tão drásticas nos elementos que cercam o “protagonista” e que interferem diretamente no meio que o mesmo se encontra. Espero satisfazer o gosto dos senhores... Enfim, vamos ao que interessa.
- José Carlos


CAPÍTULO IX – REBELIÃO




Não falava muito com os outros soldados. Muitos me invejavam por ser um Nephilim, outros me temiam pelo mesmo motivo. Havia o preconceito por conta da minha raça, entretanto essa combinação hostil rendia mais horas de treinamento sem nenhuma presença inconveniente.

Isolado por salões amplos procurava obter informações por intermédio das inscrições. Decifrá-las não representou um grande desafio, visto que meu desenvolvimento era focado em habilidades mentais. Tinha que fortalecer-me, mesmo que caro custasse.

Uma nova aura nascera, ressoando com o lugar. Alguns pergaminhos reagiram ao meu novo nível. Sentia como se toneladas de conhecimento fossem gravadas em minha mente. Não obstante estar feliz em alcançar o primeiro estágio de Elite, aquele descontraído momento fora abruptamente cessado. Um imenso clarão adentrou o templo. Pude ouvir gritos e barulhos de explosões. Quando saí do local meus olhos negavam-se diante daquela realidade. O céu estava negro e chovia sangue, literalmente. Rios vermelhos carregavam os cadáveres pelas ruas do reino e eis no denso céu o culpado por tamanha cena caótica: Orochi.

- Como pôde nos trair? És um Overlord, seu desgraçado!
- Ashtar estava corretíssimo acerca da tua tolice, Vangladius! Achou mesmo que ele sairia sem ao menos deixar um espião monitorando as coisas? É desta forma que proclama-se Grandmaster? Tenho pena de ti!
- Agora tudo faz sentido... Cogitamos a possível presença de um traidor há anos, mas nunca seguíamos adiante na investigação devido à falta de provas. Não esperava determinada atitude de alguém que no passado foi meu tutor! Disse Saoru, consumida pela raiva.
- Desconsiderem todas as informações sobre mim, pois não passam de meras lorotas. Avisar-lhes-ei que uma provável guerra assolará o reino, então preparem-se. Seria um saco matá-los rapidamente, tal qual fiz com muitos escórias daqui. O papo está deveras interessante, mas tenho que partir. A Cúpula ficará satisfeita com este relatório, agradeço a cooperação dos senhores... Até mais, patéticos! Proferiu Orochi, desaparecendo numa luz brilhante.


O distrito militar foi praticamente destruído. As baixas totalizavam noventa por cento dos soldados e metade dos Elites. Um alerta máximo foi estabelecido visando prevenir novos ataques e a reconstrução das regiões afetadas foi iniciada urgentemente.

Aquele incidente abalara em demasia a estrutura da facção. As reformulações de patentes foram até antecipadas como resposta aos boatos de enfraquecimento que chegaram nos ouvidos dos outros clãs.

O teste de Elite dividia-se em duas etapas: a primeira qualificava os candidatos portadores de aura de nível quatro ou superior e finalmente a segunda era um torneiro entre estes. Dos trinta submetidos ao teste apenas quatro passaram à prova seguinte. Éramos avaliados pela afinidade com o Etherium, portanto mesmo a vitória não era garantia de promoção.

A competição sucedeu-se um mês após o ataque de Orochi, tendo como sede o próprio castelo de Arthius. Contemplava pela primeira vez o interior do local. Perguntava-me como os Overlords não se perdiam com todos aqueles corredores e salões.

Uma construção similar a um coliseu foi criada para acomodar a população, eufórica por um evento de tamanha magnitude. Após um pronunciamento proferido pelo próprio Vangladius a fase final começara. É chegado o momento de colher os frutos de meu esforço. Falhar não englobava-se em contexto algum.
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O que acontecerá no torneiro?


ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (VIII)


CAPÍTULO VIII – RECOMEÇO


Uma semana se passara após o teste de recrutamento. Agora como soldado Maori está aprendendo mais detalhes...

As patentes são determinadas pelo nível de poder do indivíduo. Os soldados são a base militar, composta por novatos em sua maioria. Os Elites formam o esquadrão especialista, sendo uma posição hierárquica acima dos soldados. Equipes de no máximo três componentes são comandadas por um “Overlord” – cargo de grande prestígio, apenas para os mestres da manipulação de Etherium – e o grupo deste elege um líder, o Grandmaster, cujo papel é governar toda a facção.

Acerca dos processos de transformação: os poderes são categorizados por estágios denominados auras. Soldados possuem uma aura que costuma variar do nível um ao três. Já os Elites alcançam a sexta. Overlords por sua vez chegam até a nona, sendo que em alguns casos desenvolvem a décima (geralmente o líder). Há boatos de um Guardião que administrou Arthius nos tempos de outrora ter liberado a décima primeira e última etapa conhecida: a dádiva das Entidades.

Características externas determinavam as mudanças, sendo simples a distinção entre os níveis. O próprio reino estrutura-se em conformidade com as seguintes divisões: ao extremo norte um majestoso castelo, feito do mais refinado Etherium, residência dos Overlords. Nos arredores o setor dos Elites, demarcado por enormes torres e casarões. Complementando o anel exterior temos o distrito militar, constituído de moradias simplórias e pontos estratégicos de vigia. Por último a área civil, situada fora dos muros da fortaleza (Arthius não era uma unidade exclusivamente bélica).

Haviam seres virtuosos que não eram dotados de perícia em combate mas contribuíam com o desenvolvimento geral. Entre estes sábios, inventores, cientistas e a comunidade trabalhista. O comércio era próspero graças ao alto nível tecnológico. Pontos de teletransporte conectavam Arthius às diversas regiões dos universos. A vida da população era pacífica, regrada de cultura e informação (o acervo total dos centros de pesquisa era de uma magnitude deveras superior).

Após folhear livros diversos descansei para treinar no dia seguinte. Como não haviam tutores na base militar cada um desenvolvia-se da maneira que achava conveniente. Decidi dedicar-me ao aperfeiçoamento mental, melhorando habilidades defensivas e manipulação empírico-dimensional.

Seis malditos meses exaustivos se foram. Procurei descobrir mais sobre a arte das sombras e como controla-la. Achei até o lugar ideal: o templo em homenagem ao Mastermind – Entidade do poder – numa região mas remota do reino. Era uma construção sagrada protegida com selos restritos de altíssimo escalão. Apenas os híbridos tinham a permissão de entrada.

Pergaminhos lacrados e inscrições antigas lotavam os vários salões. Pelo que constava nas paredes uma aura de nível quatro outorgava ao indivíduo o acesso aos escritos com os lacres mais fracos. Depois de tanta preparação desistir não estava em meus planos. Perdia-me em indagações enquanto perambulava pelos corredores adjacentes. A solidão estimulava minha ânsia em desbravar aquele oceano de segredos...

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Conseguirá nosso jovem Maori desvendar os segredos do templo?


ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (VII)

Aqui estamos em mais um capítulo dessa loucura. Logo adiantando: este fragmento da história é importante, pois finalmente explicará aspectos pessoais referentes ao nosso “protagonista”. Quando revisei tal trecho percebi que o mesmo é um pouco mais extenso em relação aos demais, mas não acostumem-se. Enfim... Boa leitura.

- José Carlos

CAPÍTULO VII – SOLDADO DE TERRA LONGÍQUA



Como recentemente recobrei as lembranças de outrora explicar-lhe-ei: sou oriundo do planeta Sedna – o segundo colonizado pelos humanos após a Grande Guerra Biológica da Aliança Marshall (EUA e outras potências) contra a Coalisão Oriental (China, Rússia e Japão), tornando a Terra instável demais para sustentar vidas – situado no extremo sul da Via Láctea.

Era um estudante como qualquer outro, levando uma vida comum onde morava, até que em um belo dia acabei chegando aqui inexplicavelmente. Ah, quase esqueci... Já passaram-se seis capítulos e ainda não comentara acerca da minha aparência (perdão, tais coisas não parecem relevantes ao meu ver).

Meu rosto não é dos mais agradáveis aos olhos. Costumo apresentar uma expressão séria, o que torna-me um tanto quanto intimidador. Um moreno magricela e arrogante trajando um sobretudo preto, basicamente falando. Voltando ao embate...

O sinal foi dado. A luta finalmente começara. Aquela bela silhueta rapidamente escapou-me às vistas. Envolto por enormes fios violetas, fui golpeado severamente.

Nem vinte segundos passaram e já caíra diante da garota, a qual aparentava mais ou menos minha idade. Seu olhar indiferente incomodava em demasia. A maldita conseguia desviar-se de todas as investidas, provocando-me cada vez mais:

- Não consigo entender como sobreviveste à reação. Um babaca débil assim certamente deveria desistir de viver.
- Todas as vagabundas daqui são contumazes em insultar de forma tão bela e eloquente ou és a única?
- Tamanha arrogância faz jus à tua raça. Humanos não passam de narcisistas desgraçados. Acham-se os seres mais especiais, quando são os mais medíocres. Criaram milhares de mitos, matando seus próprios semelhantes com a finalidade de provar a suposta veracidade de suas tão amadas e louvadas conjeturas, reduzindo toda a complexidade do desconhecido em achismos e meras especulações ignorantes! Desista de ser Guardião, escória destruidora de mundos, parasita indigno do pensar!
- Temo que devo concordar com o que fora dito pela senhorita. Apenas saliento que nem todos encaixam-se em tal contexto. Diamantes também surgem da lama.
- Então estás tentando dizer-me que há exceções entre a sua raça, a mais pútrida conhecida? Pois saiba que não sou passível ao convencimento através de palavras!

Após tal pronunciamento ela me jogou no chão e deu-me um soco tão forte no rosto que minha visão ficou turva. Minha ira crescia diante de tal humilhante situação: uma garota massacrava meu corpo e minha moral (machismo mimimi). Tentei recorrer ao “outro eu”, mas fui surpreendido ao escutar outra voz:

- Acertar o rosto foi a gota d’água. Descanse, cuidarei das coisas por aqui. Colocarei essa vadia nos eixos, não se preocupe.

 A expressão marcante de pavor da multidão foi a última cena que passou por minha consciência. Quando despertei vi Kataru sendo levada pela equipe médica enquanto todos me encaravam como aldeões amedrontados por um monstro.

- Isso... Esse garoto arrogante possui poder demoníaco!
- Vangladius, exigimos explicações! Pensávamos que era necessário muito treinamento para o uso de técnicas sombrias! Exclamou um membro da elite, indignado.
- Estamos diante de um Nephilim, senhores.
- Nephilim?
- Exato. São os raros casos de híbridos, Guardiões cuja essência é dotada de duas faces opostas de mesma proporcionalidade. O poder-base é muito mais elevado do que qualquer soldado convencional, porém o processo de desenvolvimento é exacerbadamente árduo, exigindo total dedicação e força de vontade do usuário para o domínio das técnicas. E ainda tem os riscos...
- Quais seriam?
- Seu corpo e mente não passaram por nenhum processo rigoroso. Caso não fique forte o suficiente sua sanidade se esvairá perpetuamente.

Fiquei tão vidrado naquelas palavras que por um momento esqueci meu triunfo. Quem era o responsável pela outra voz? Será que isso tem alguma relação com a história das sombras?



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O que aguarda nosso jovem Maori nessa nova fase como Guardião?