sábado, 15 de fevereiro de 2014

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (IV)

CAPÍTULO IV - ASCENSÃO

Antes de chegar no Círculo da Transferência parei para descansar numa floresta ao sul da cidade. O vento era agradável e os frutos abundantes... Havia muitas marejeiras - árvore cujo fruto é a mareja, uma variação genética do maracujá de cor avermelhada - para o meu contentamento.
Pensava como seria Arthius e o que encontraria por lá. Toda aquela situação coexistindo deixava-me deveras intrigado. Nos confins da floresta um templo meio rochoso demarcava os limites. Finalmente alcancei meu destino...



O lugar não demonstrava vida, apenas notava-se uma complexa arquitetura - o povo do Mundo Transcendental parece gostar muito dessas coisas - nas construções ao fundo, um círculo com inscrições no centro (o local não possuía cobertura no meio) e duas estátuas gigantescas próximas ao mesmo.
À medida que me aproximava algo incomodava-me. Sentia um tipo de presença na espreita, observando-me. Não tardei a reparar que os olhos das grandes esculturas acompanhavam meus passos...

- Pare aí mesmo, mortal! Exclamaram.
- O convite contido no livro é o motivo que me traz até aqui.
- Convite? Hum... Palavras são vazias. Averiguaremos diretamente de sua mente!

Minha cabeça começou a doer intensamente. O incômodo pulsava como um incessante martelar.

- Parece que há veracidade no teu discurso. Proferiu uma das estátuas.
- Só que não será tão simples assim ir para Arthius! Eles podem até gostarem de ti, mas para nós, as Irmãs Virtuosas, és apenas mais um restinho de matéria dotado de consciência, nada mais que isto! Para obter o direito de ida terás que responder nosso pequeno enigma.
- E se por acaso eu errar?
- Bem, pergunte isso àquelas pilhas de ossos... Decifre ou morra!
- Manda ver então, pedregulho falante.
- Vejamos... O que possui quatro pés pela manhã, dois à tarde e três ao anoitecer?
- Pelo contexto entende-se que estão referindo-se ao homem.
- E por que seria tal ser?
- Pois bem... Explicar-lhes-ei. O bebê engatinha usando pés e mãos, sendo que manhã, nesse caso, representa o início do processo vital. Já na fase adulta ("tarde"), o homem equilibra seu corpo apenas com os pés. A noite representa o epílogo da vida, onde o ancião caminha vagarosamente com o auxílio de uma bengala.
- Impressionante. Passaste em mais uma prova, provando-se dotado de dignidade e astúcia. Por ora, não pense que acabou. O antigo templo, o Obelisco, o Storn... Todos foram testes. Sua última prova será em Arthius. Ativaremos o Círculo da Transferência para iniciarmos o teletransporte. Tens a nossa benção, nobre jovem. Desejamos êxito em sua árdua jornada ao desconhecido.
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Mais um final de capítulo... O que aguarda o jovem Maori em Arthius?