domingo, 16 de fevereiro de 2014

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (IX)

Confesso que este arco representou um desafio e tanto para mim: alguém, completamente desacostumado a elaborar contos, ter de criar mudanças tão drásticas nos elementos que cercam o “protagonista” e que interferem diretamente no meio que o mesmo se encontra. Espero satisfazer o gosto dos senhores... Enfim, vamos ao que interessa.
- José Carlos


CAPÍTULO IX – REBELIÃO




Não falava muito com os outros soldados. Muitos me invejavam por ser um Nephilim, outros me temiam pelo mesmo motivo. Havia o preconceito por conta da minha raça, entretanto essa combinação hostil rendia mais horas de treinamento sem nenhuma presença inconveniente.

Isolado por salões amplos procurava obter informações por intermédio das inscrições. Decifrá-las não representou um grande desafio, visto que meu desenvolvimento era focado em habilidades mentais. Tinha que fortalecer-me, mesmo que caro custasse.

Uma nova aura nascera, ressoando com o lugar. Alguns pergaminhos reagiram ao meu novo nível. Sentia como se toneladas de conhecimento fossem gravadas em minha mente. Não obstante estar feliz em alcançar o primeiro estágio de Elite, aquele descontraído momento fora abruptamente cessado. Um imenso clarão adentrou o templo. Pude ouvir gritos e barulhos de explosões. Quando saí do local meus olhos negavam-se diante daquela realidade. O céu estava negro e chovia sangue, literalmente. Rios vermelhos carregavam os cadáveres pelas ruas do reino e eis no denso céu o culpado por tamanha cena caótica: Orochi.

- Como pôde nos trair? És um Overlord, seu desgraçado!
- Ashtar estava corretíssimo acerca da tua tolice, Vangladius! Achou mesmo que ele sairia sem ao menos deixar um espião monitorando as coisas? É desta forma que proclama-se Grandmaster? Tenho pena de ti!
- Agora tudo faz sentido... Cogitamos a possível presença de um traidor há anos, mas nunca seguíamos adiante na investigação devido à falta de provas. Não esperava determinada atitude de alguém que no passado foi meu tutor! Disse Saoru, consumida pela raiva.
- Desconsiderem todas as informações sobre mim, pois não passam de meras lorotas. Avisar-lhes-ei que uma provável guerra assolará o reino, então preparem-se. Seria um saco matá-los rapidamente, tal qual fiz com muitos escórias daqui. O papo está deveras interessante, mas tenho que partir. A Cúpula ficará satisfeita com este relatório, agradeço a cooperação dos senhores... Até mais, patéticos! Proferiu Orochi, desaparecendo numa luz brilhante.


O distrito militar foi praticamente destruído. As baixas totalizavam noventa por cento dos soldados e metade dos Elites. Um alerta máximo foi estabelecido visando prevenir novos ataques e a reconstrução das regiões afetadas foi iniciada urgentemente.

Aquele incidente abalara em demasia a estrutura da facção. As reformulações de patentes foram até antecipadas como resposta aos boatos de enfraquecimento que chegaram nos ouvidos dos outros clãs.

O teste de Elite dividia-se em duas etapas: a primeira qualificava os candidatos portadores de aura de nível quatro ou superior e finalmente a segunda era um torneiro entre estes. Dos trinta submetidos ao teste apenas quatro passaram à prova seguinte. Éramos avaliados pela afinidade com o Etherium, portanto mesmo a vitória não era garantia de promoção.

A competição sucedeu-se um mês após o ataque de Orochi, tendo como sede o próprio castelo de Arthius. Contemplava pela primeira vez o interior do local. Perguntava-me como os Overlords não se perdiam com todos aqueles corredores e salões.

Uma construção similar a um coliseu foi criada para acomodar a população, eufórica por um evento de tamanha magnitude. Após um pronunciamento proferido pelo próprio Vangladius a fase final começara. É chegado o momento de colher os frutos de meu esforço. Falhar não englobava-se em contexto algum.
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O que acontecerá no torneiro?