quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XII)


CAPÍTULO XII – CONHECENDO A ESCURIDÃO



- Agora que estamos aqui no templo podemos conversar.
- O que a senhorita deseja saber de mim?
- Muito engraçado, transbordei em risos. Deixando de lado as brincadeiras... acho que pode me dar uma força.
- Certo, mas antes devo te mostrar uma coisa.

Fomos para um local com construções distorcidas, relevos irregulares e terras exacerbadamente áridas. Uma forte e incessante chuva banhava o lugar sem vida.

- Apresento-lhe o lado adverso da sua mente. Gosto de ficar aqui pensando por causa do clima chuvoso, muito agradável por sinal.
- Interessante. Sobre a luta de amanhã...
- Ah, sim. A ruiva perigosa. Ajudarei, mas isto será apenas possível caso faça tua parte.
- Como assim?
- Pare de bancar o idiota, cara. Sou sua insanidade, seu ego. Se tentar controlar meu poder sem o devido preparo corres o sério risco de perder a razão perpetuamente.

Treinamos exaustivamente. Ele ensinou-me técnicas perceptivas e elevou minha capacidade réplica, permitindo o aprendizado de qualquer habilidade detectada. Seu rosto era assustadoramente idêntico ao meu. Trajava uma calça preta. Correntes com as mesmas inscrições do mascarado prendiam suas pernas e braços. Parecia uma versão marombada minha, só que com cérebro (o choro é livre, camarão Hu3Hu3Hu3).

Conseguia sentir a presença de outra pessoa no templo, porém ela saiu do meu alcance antes que eu pudesse fazer algo para encontrá-la. Fiquei deveras intrigado. Haveria outro Nephilim em Arthius?

Estava empenhado em vencer aquele torneio, não importando quantos torciam contra. Decidi caminhar pelo reino. Achei uma floresta ao fundo do castelo onde uma marejeira (capítulo quatro, lembra?) enorme fazia sombra e repousei por ali, colocando os pensamentos em ordem enquanto o amanhecer não chegava. Perdido em indagações senti uma mão tocando-me o ombro:

- Pensei que eu fosse a única que costumava frequentar esse lugar.

Olhei atentamente, admirando todos aqueles fios avermelhados. Seu rosto belo e enigmático encantava-me.

- Olá. Pois bem... Meio que acabei aqui por obra do acaso.
- E o nosso confronto amanhã? Treinaste bastante?
- Sim, não devo te subestimar.
- Pois saiba que a recíproca é verdadeira. Sua habilidade de manipulação é notável.
- Por que não está com as outras garotas?
- Falando de vestidos e fofocando? Não, obrigado. Prefiro ficar sozinha.
- Entendo.
- E você, garoto? É uma atitude contumaz dos caras daqui frequentar as tavernas afim de papear sobre mulheres e feitos heroicos.
- Gosto de silêncio e solidão, nada contra eles. Também bebo pouco.
- Vejam só! Não enfrentarei um depravado social. Disse Asuka, rindo.
- É o que parece.
 - Não sou de simpatizar com os outros, mas é difícil encontrar alguém por essas bandas.
- Talvez tenha sentido vontade em estabelecer comunicação visando coletar alguma informação útil. É o que eu faria.
- Excelente colocação. Sempre tens esses lapsos intelectuais?
- São raros. Ocorrem apenas quando estou acordado.
- Senso de humor inteligente, gosto disso. Bem, vou dormir. Cuide-se e boa sorte. Prazer em conhecê-lo.
- Igualmente.

Depois daquela conversa ela não parecia mais tão ameaçadora. Foi até deveras educada para quem tentaria socar minha cara no dia seguinte.

Eis que a hora da final é anunciada. Uma arena especial foi construída no centro do castelo. Asuka não desviava o olhar por nada. A frieza nos seus olhos intimidava em demasia. O caminho não possuía retorno.

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Conseguirá Maori vencer a ruivinha sapeca?