terça-feira, 4 de março de 2014

ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XVII)


CAPÍTULO XVII – CHAMADO PROFÉTICO




Alguns meses se passaram e ainda não decifrara os mistérios envolvendo o ocorrido na dimensão paralela. Fiz muitas missões durante esse intervalo de tempo, mas nada relacionado ao Orochi.

Agora tenho quinze anos. Talvez ganhara um pouco de maturidade por viver tais experiências, quem sabe... Havia outro humano entre os Elites, para minha surpresa. Seu nome? Bem, digamos que ele odiava. Era um guerreiro Arcano, tendo o próprio Vangladius como tutor. A reluzente armadura que aparentava vida intimidava os oponentes, sem contar a sua fiel companheira – a grandiosa espada Samehoshi – a qual lhe tornava apelidado de “Heavydark”.

O fato de sermos da mesma raça ajudou no processo de amizade. Um apreciador de bebidas, artes de combate, e prodígio no manuseio de armamentos. Sua relíquia possuía alta capacidade metamórfica, o que permitia ao garoto transformá-la em praticamente qualquer coisa. Avistá-lo percorrendo o Mundo Transcendental com uma espécie de moto flamejante era contumaz.

Não tínhamos muitas oportunidades para papear pela distinção das equipes. Ele orgulhava-se em compartilhar seus feitos, sempre detalhando as zoeiras feitas por suas jornadas (hu3). Heavy dedicava-se exaustivamente aos treinos e ao desenvolvimento pessoal.

Geralmente quando Vangladius concedia-lhe folga comprava uma garrafa de vinho e ficava sentado na praça, admirando as belas moças que passavam... Sua fraqueza? Seios grandes.
Parecia apenas mais um dia puxado. Após concluir as tarefas diárias fui ao templo descansar. Estava quase caindo no sono, todavia uma voz perturbadora começou a ecoar na minha cabeça:

- Maori... Maori... Maori... Maori... Maori... Maori... Maori... Maori...
- Deixe-me em paz!!!
- Chegou a hora!!!

Senti um enorme aperto no coração e desabei de fraqueza. Permanecia consciente, não obstante vomitar uma grande quantidade de sangue. Alguém carregou-me até um local que nem um pouco lembrava Arthius, provavelmente obra de um teletransporte.

- Espero que sobreviva ao processo de extração. És uma cobaia preciosa para Orochi.
- Hã? Quem é você? Onde estou?
- Sou Laisy, Alta-Sacerdotisa de Ashtar. Seja bem-vindo ao planeta Shadowgard, o mais denso e sombrio de todo complexo multiversal. Sei que certamente nunca testemunhara tal arquétipo. A galáxia de Densyt é cercada por buracos negros, tornando impossível a existência de astros luminosos nas adjacências.
- Foda-se você e esse seu papinho geográfico. Darei o fora daqui...
- Perdão, mas não devo permitir que saia. Tenho ordens expressas para mantê-lo neste templo até que a cerimônia esteja concluída.
- Parece que será do jeito complicado então.
- No seu lugar nem tentaria. Não tens a menor chance!
- Isso é o que veremos!

Nos encaramos por uns instantes. A dama usava um longo vestido preto e segurava um cetro esquisito.

- Maori, analisei a aura dela. Lute com tudo, garoto!
- Ela é tão perigosa assim, mascarado?
- Os dados apontam uma aproximação ao oitavo estágio.
- Droga...

O salão foi completamente envolto por uma esfera negra.

- Venha! Mostre-me o poder de um Nephilim!!!

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E mais uma vez nosso jovem tem uma luta pela frente... Será a nova oponente tão ameaçadora assim?


ARTHIUS - ENTROPIA MULTIVERSAL (XVI)

CAPÍTULO XVI – RESPLENDOR




- Acham mesmo que possuem alguma chance?
- Poupe-nos de suas provocações baratas!

A intensidade daquela luta causou um forte temporal no pico da montanha. Orochi não demonstrava seriedade. Parecia simplesmente nos testar...
Estávamos mesclando táticas para confundir o inimigo, infelizmente sem êxito. Saoru combatia bravamente seu antigo mestre enquanto eu e Kataru fornecíamos suporte defensivo.

- A brincadeira foi até divertida, todavia tenho negócios a tratar. Resplendor do caos!
- Conheço esta técnica! Evitem olhar, não importa o que aconteça!

Quando notei luzes e raios brilhantes me cercavam. Era um tipo de dimensão alternativa ou algo semelhante...

- Que lugar é este?
- Precisamos conversar, jovem.
- Só depois que suas vísceras enfeitarem meu sobretudo.
- Calma, Maori. Lutar não é o meu intuito, do contrário já estaria morto.
- Qual o motivo disto então?
- Nesta batalha pelo domínio multiversal não há mocinhos nem bandidos, apenas facções e seus respectivos interesses. Somos especiais. Excelentes ferramentas bélicas.
- Não sou uma marionete passível de manipulação!
- Ora, és subordinado do Vangladius... Certo?
- Estou do meu lado. Não sirvo Vangladius mas sim os ideais dele.
- Deveras intrigante. Realmente conheces tais ideologias?
- Todas as quais possuo ciência parecem legítimas. Estarei com Arthius enquanto achar prudente.
- Pois devo alertar-lhe que as tensões entre os clãs só aumentam, tornando as possibilidades de aliança e manobras diplomáticas de cessar fogo cada vez mais inconsistentes. Uma guerra é quase inevitável e sinceramente não gostaria de destruir um semelhante.
- Como assim?
- Nem os Overlords sabem acerca da verdadeira natureza do meu poder. Sou um Nephilim. Ocultar minha linhagem é parte do plano, mas o motivo da nossa conversa é distinto. Isso vai doer um pouco!

O desgraçado arrancou meu coração do peito. A dor insuportável paralisou meu corpo.

- Considere um pequeno “presente”. Disse Orochi, colocando meu órgão novamente no lugar.
- Maldito! O que você fez?
- Logo verás. Quando o momento certo for anunciado serás o mensageiro da destruição. Selei um encantamento profético em ti. Seu maior medo revelará as asas do vigário. Cumpri minha tarefa por aqui, até mais!

Estava novamente na região montanhosa, porém Orochi havia desaparecido. Ainda desnorteado diante tal situação procurei entender o ocorrido:
- Maori, tudo bem? O que houve?
- Nada demais.
- Vocês sumiram do nada...
- O inimigo fugiu... Vamos andando.

Decidi esconder a história por temer a reação das garotas. Era novato, não podia depositar confiança em ninguém tão facilmente. Voltando ao reino relatamos o encontro da Cúpula ao Grandmaster:
- A seriedade da situação é deveras considerável. Coloque todos os membros fora das muralhas do castelo sob alerta!
- Entendido!

Fui ao templo. Precisava ficar sozinho, ordenar os pensamentos. Mesmo sentindo-me bem algo havia mudado:
- Devo tornar-me mais poderoso. É inadmissível o fato acerca da minha vulnerabilidade, sem contar o desconhecer do que acontecera.

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O que realmente ocorreu na dimensão paralela? Qual seriam os planos de Orochi para Maori? Profecia? Mensageiro da destruição?