segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

2016

   Faz muito tempo que não escrevo mesmo com muita vontade. O blog sempre teve o numero de leitores em 0 - forte indicio que eu escrevo mal - Mesmo assim, gostaria de por um ponto nessa parte importante de minha vida; um ponto, não sei se final. 

(Eu nunca termino nada)


   Bom. O blog começou porque eu queria mostrar as coisas que escrevia para uma menina - o M do nome daqui - Não demorou e passei a postar minhas opiniões de merda. Pouco tempo depois o tom mudou de coisas romântica para coisa melancólica. Eu havia descoberto quem ela era de verdade. 

(Não sofrer por aquilo que não vale a pena -easy)



   Então... por que eu parei? - já que meu público é zero, isto é mais um exercício mental - Eu parei mesmo de escrever quando escrevi para alguém (dar de aniversário) e a pessoa não leu e ainda descobri que ela não lia nada meu. Admito que fiquei chateado, mas eu entendo, eu sou um saco. Bom. Mesmo assim, fiquei muito desmotivado e acabei parando tudo. Não foi o público zero ou eu ser ruim, foi falta de estimulo para alguém que já estava desanimado. Mas não a sentenciaria a morte, eu poderia ter continuado.

(É muito importante encorajar as pessoas que você gostar com aquilo que as fazem felizes; sem ânimo e apoio talvez elas não consigam realizar grandes feitos)



   Enfim. Esse é um resumo da linha de tempo deste blog e algumas coisas que aprendi* - mentira, pegou frases de tia velha no facebook -. Irei tentar mais uma vez, sem metas bem definidas, não gosto de metas, mas voltarei a escrever e a postar devagar. No momento não estou nada bem e isso é ótimo para escrever.

Obrigado se leu até aqui, bj mãe.


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* Entre parênteses 






Tirei 9 em redação e língua portuguesa no vestibular; eu sempre fui ruim em português.

sábado, 4 de abril de 2015

Rosa Negra - Os Planos da Morte



Depois da escola, às vezes, saia para comprar. Podia ser qualquer coisa, mas nesse dia foram livros e café. Como sempre, andava com meu fone ouvindo minhas músicas favoritas e me desligando do mundo. Parei em uma livraria e comprei umas distopias e depois de folhear mais alguns livros, saí para tomar o café.
Fui até uma cafeteria do outro lado da rua. Era até adequado para aquele dia frio e nublado, mas havia perdido muito tempo na livraria e precisava mesmo ir, então, peguei um para viajem.
Distraída tomando meu café e pensando em meu livro, atravessei a rua sem prestar atenção aos carros e então achei ter descoberto os planos que a morte tinha para mim. Não, não era morrer. Uma moto enorme veio em minha direção, foi tudo tão rápido, vi ela buzinar e desviar para a esquerda. O piloto deslizou e a moto também, só parando depois dele. Eu fiquei lá, parada, com a cara de assustada. O piloto se levantou e como não devia estar tão rápido e todo equipado, acho que não se machucou muito. Ele foi até a moto, a desligou, mas foi o que se passou depois que me deixou mais impressionada.
Ele veio até mim! Achei que ia apanhar ou no mínimo ouvir escândalos, mas ele disse enquanto devolvia minhas coisas:
- Olha, você se machucou?
- Não – Respondi tímida.
Ele tirou o capacete.
- Que bom! Eu acho que nós três estamos bem. Escuta, eu posso lhe comprar outro livro e pagar um café. – eles caíram e o café o encharcou.

- Tudo bem para você? – continuou ele.
- Sim, claro. E... Me desculpe, sabe? Por isso.
- Seus pais não ensinaram como atravessar uma rua? – ele sorriu.
- Ensinaram sim! É que... Foi mal – sorri timidamente de novo
Ele era alto, mas, também, eu sou baixa.
- E você? Não vai a um médico? Você caiu
- Eu estou bem. Relaxa, cara.
Ele abriu a porta para mim e entramos na livraria.
- Aqui, estou louca para ler esse! É uma distopia, ela fala de...
- Hum! Legal, faz assim; esse fica para mim e você parece precisar de... Vem cá! – Falou e me levou pelas mãos – Já leu esse? “The Hitchhiker's Guide to the Galaxy”. Toma – pegou toda a coleção e me deu.
Eu não disse nada. Ele pagou os livros e me fez sorrir de novo.
- O que foi? Você vai gostar. Se esse que me mostrou lhe agrada, então, este também vai.
Eu fechei minha boca de retardada e sorrir dizendo “tá bem”. Saímos e fomos para o café. Lá, ele tirou o macacão antes de sentarmos e novamente. A minha breve fantasia foi interrompida por suas palavras.
- E então, quantos anos você tem?
- 16. – fiquei olhando para fora e ficamos alguns instantes em silêncio.
- Eu tenho 20. Eu não sou daqui.
- Ah! Sabia! De onde você é?
- De algum canto da parte de cima.
Uma mulher trouxe torta e nosso café
- Mas não pedimos nada – eu disse.
- Calma. É que eu sempre venho aqui. Eu sento e a doce Sol traz o que eu adoro. Você quer outra coisa?
- Não! Tá bom! Você veio trabalhar?
- Não, eu vim atrás de uma coisa.
- Que coisa?
- Não posso lhe dizer.
Eu insisti, mas resolvi parar. Não queria chateia-lo.
- Tá bem.
- Você é um garotinho um pouco tímido e parece bem esperto.
- Na verdade, não sou tímido, mas não consigo pensar em nada olhando para você. Talvez tenha sido o susto.
- Naquela hora, pensava em quê?
- No meu livro, nos meus pais.
- Morrer por um livro? Isso acontece muito.
- Verdade – sorri – O que você quer comigo? Tipo, você viu se eu estava bem, isso já foi o suficiente. E, ainda, fui eu que quase o matei.
A carinha de cachorro rejeitado que ele fez me deixou arrependida do comentário.
- Bom... Fiquei preocupado, você parecia assustado e perdeu suas coisas, seu café, café é sagrado! Não sei, é estranho mesmo.
- Ah! Você deve ser tipo um incomum – rimos- Um nobre herói em 500CV – rimos mais ainda – e eu a donzela em perigo.
- Donzela?
- Não! É... – Engoli seco. Acho que pela primeira vez deixei escapar meu segredo. Gaguejei, ele riu de mim.
- Você é gay?
Eu nunca havia revelado isso, mas, até agora, ele havia sido gentil e não nos conhecíamos, era, na verdade, uma chance de finalmente pôr para fora.
- Bom, você é gentil, então acho que não vai me machucar. É mais ou menos isso. É que eu gosto de “mininos” também. Vai me matar por isso?!
Ele riu e disse: - Não. Estamos entre minorias.
- Hum. Então você também?
- Nãaaoooo... – Foi um não bem longo.
- Então o quê?
- “Ná”. Qual sua religião?
- Entendo, ateu.
- Eu podia ser do candomblé.
- Verdade, hehe, eu sou ateu. Acho que os macumbeiro não arrumariam problemas.
Ele sorriu com os olhos enquanto bebia em sua xicara. Fiquei encantada com aquilo.
Conversamos mais um pouco até o lanche acabar. Demos um tempo, ele pagou e saímos. O sol estava se pondo e a tarde estava linda. Eu estava feliz como nunca estive antes.
Por que eu estava tão feliz? Talvez tivesse feito um dos meus primeiros amigos, ou estava apaixonada. Na verdade, acho que pela primeira vez, pude me expressar e, ainda, para melhorar, ser compreendida.
- Onde você mora? – Perguntou ele enquanto me entregava o capacete.
A noite ainda não havia caído e já estávamos lá, desci e a tristeza me tomou de novo.
- Te vereis novamente?
- Eis? Ah! Sim! Eu não conheço a cidade, vou precisar de você em minha busca e o único que pode me ajudar é você. – Ele disse logo depois de forma mais pomposa: - “Somente a mais pura e sábia donzela despertará o coração negro”.
Eu sorri, estava feliz.
- Para. Não ria! Não encoraja minhas besteiras. E, é bom ficar com você também.
- Tchau! Irei espera-lo.
E então. Assim ele se foi. O meu herói assassino em seu cavalo de negro...

domingo, 29 de março de 2015

ROSA NEGRA

Introdução



E finalmente lá estava eu. Com minha arma, em meu escritório e o meu silêncio. Quanto tempo levou para chegar esse dia? O quanto eu o adiei? O meu rito para o sossego é interrompido pelo desespero de minha doce Micaela batendo e gritando na porta. Trato de ignorar. Por que este momento demorou tanto? Ela já caminhava comigo a muito. Só agora estava na ponta do cano daquela arma em minha boca. Dizem que nesses instantes a sua vida passa ante seus olhos e comigo não é diferente. Então...



Nasci como todos: de uma mulher e apanhei de um cara mal vestido. E mesmo não parecendo, e não sendo, um garoto saudável, não seria a saúde o maior problema da minha vida. 

Acho que tudo começa aos meus 6 anos. É quando percebo que há algo de errado com o mundo, e/ou algo errado comigo. Eu era só uma criança, você irá dizer, e assim eu era e agia como uma. Sem vergonha e feliz. O que eu via de errado era com os meus pais, com as suas estórias, e também com o meu corpo. Na minha infância, nos momentos em que não estava em minha cama. É que por causa de uma doença eu não podia fazer nada, além de ficar deitada, durante meses. Mas quando estava boa era um garotinho normal, brincava e aprontava. Adorava ser um ninja, ninjas podem sumir e se disfarçar. Fazia tudo isso sozinha. Quando eu tinha chances, vestia as roupas das minhas irmãs e mãe. Esses momentos eram mágicos e se tornavam mais especiais e raros. Não sei quando exatamente, mas foi nessa época que vi o erro no meu corpo, eu havia nascido no corpo errado.

De alguma forma, eu sabia que meus pais não iam gostar nem um pouco, talvez por eles sempre tentarem consertar o meu jeito, então, eu fazia sempre escondido. Tentei resolver este problema da única forma possível, pelo menos para mim e em minha situação. Eu pedi a Deus. Pedi a ele que mudasse, mas ele nunca atendeu e ainda, no futuro, descobri que era uma desculpa para causar mais dor, incluindo meus pais.

Até ai eu estava infeliz apenas por não ser uma garota e um pouco por minha doença. Então ela disse “oi” pela primeira vez e eu deixei entrar. É claro que meus pais entraram em desespero, eu tentei suicídio ainda criança. Eles passaram a me levar ainda mais a igreja, mas isso só piorava a minha situação.

Fui crescendo cada vez mais só. Nos meus 15 anos tudo piorou, a angústia era maior. Agora eu compreendia bem. Agora só queria morrer e caminhava para isso. Eu não podia ser eu, não podia me expressar, tinha que fingir querer o que não queria. Doía. E então? Por que sofrer?

Até aqui ninguém sabia do meu desejo de ser mulher, pois, eu só tinha a minha família e se soubessem disso eu estaria perdida. Perderia a minha casa, minhas chances e viraria um nada. Talvez tivesse que me vender para viver e acabar morrendo nas drogas. O outro lado era chorar a noite, viver de uma forma que odiava, viver sem prazer, sem motivação. No fim as duas dão em morrer.


Eu queria algo certo como um tiro ou veneno, mas nunca tive coragem de tentar (só daquela vez). Algumas noites me sentia determinada, mas não conseguia. Eu era fraco, um covarde ou talvez ela tivesse outros planos para mim. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Arthius - Supremacia Multiversal



ARTHIUS


SUPREMACIA


MULTIVERSAL

- José Carlos


CAPÍTULO I – TRILHANDO O RENASCER 


Um projeto extensivo de reconstrução das áreas afetadas foi iniciado algumas semanas depois da grande guerra em Arthius. Maori - novamente na floresta ao fundo do castelo e ainda meio abalado - pensava constantemente numa forma de recuperar seu potencial de combate.

- Você gosta mesmo desse lugar...
- Olá, Shienn. Aqui consigo colocar em ordem o caos que chamo de consciência.
- Essa coisa de guerra nos transforma. Ultimamente andas muito mais quieto do que de costume.
- Minha cabeça está uma completa bagunça. Quase esqueci o meu próprio aniversário.
- Uma pena que não tenha nada a se comemorar.
- Vencer a batalha diária contra a vida já é algo glorioso.
- Ainda não me acostumei com essa filosofia sua. Enfim... Vangladius gostaria de falar contigo lá no castelo. Acompanhe-me.


Todos os Overlords já se encontravam na Égide Holística quando a chegava do jovem salvador do reino era anunciada:

- Maori, sente-se. A reunião começará em instantes. Aceita alguma bebida?
- Não, obrigado. Qual o motivo de requisitarem minha presença?
- Logo entenderás. Vashirah, deixo o prólogo discursivo ao seu dispor.
- Aceito cordialmente. É da ciência dos senhores a contribuição do Maori para o destino do reino, bem como o estado precário das suas auras relatado pela equipe médica. Sugiro um treinamento intensivo visando a restauração dos poderes dele.
- A atitude do garoto, mesmo imprudente, foi de fundamental importância ao curso do conflito contra a Cúpula. Não podemos simplesmente dispensá-lo... Estou de acordo. Proferiu Ice.
- Podemos direcioná-lo a algum monitor, que tal? Shienn apontou uma sugestão.
- É verdade. Temos alguns disponíveis.
- Pensei em guiá-lo até o templo da Marin. Disse Vashirah.
- Ela é uma das melhores, só que rigorosa ao extremo.
- Uma recuperação rápida é desejável. Ademais, acredito que será uma experiência e tanto na jornada do garoto. Objeções?
- Nada a contrariar.
- Sophitia, acompanhe o Elite até os aposentos da Marin.
- Como quiser. Vamos, Maori.

Caminhamos através da longa floresta ao fundo do castelo até a entrada de uma caverna.

- Desconheço tal estrutura rochosa.
- Essa passagem dará numa região deveras remota. Uma rápida explorada e encontrarás o templo. Partirei agora.
- Certo. Agradeça a todos os Overlords pela oportunidade.

A claridade no final do túnel revelava um majestoso vale. Vegetação robusta e lagos com águas cristalinas acentuavam a sensação de paz presente no local. Um ambiente cuja beleza é quase indescritível. Distraído por tal situação fui imobilizado subitamente por um ser mascarado, trajando um manto negro:

- O que te traz até estas terras? Perguntou a criatura, com uma adaga reluzente no meu pescoço.
- Marin? Os Overlords me enviaram...
- Ah, então és o garoto? A mestra aguarda sua chegada.

Após subir incontáveis degraus alcançamos uma construção ao centro do vale:

- Olá novamente, jovem.
- Você... é a líder daqueles viajantes!
- Exato. Já faz alguns anos desde nosso último encontro. Sou Marin, Guardiã do Vale de Arthius e mestra da equipe de avaliação.José Carlos Junior
- Quase fui morto pelo seu amigo, mas tudo bem.
- Perdão. Confesso que os espectros são meio rudes. A moça riu.
- Espectros?
- Sim. Uso-os para proteger o local e nas operações de monitoramento. Meras extensões da minha Essência, portanto partilhamos da mesma consciência.
- Habilidade interessante.
- Chega de delongas. Mostrar-lhe-ei as instalações...

A estrutura era enigmática. Inscrições diversas preenchiam os salões, deixando evidente a importância histórica do lugar.

- Este é o seu quarto. Te darei uma pequena folga para que se acostume com o novo cenário. Começamos nosso treino amanhã. Qualquer coisa é só chamar.
- Entendido. Grato.


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Decidir dar uma volta, visando colocar os pensamentos em ordem. Será a restauração das auras plenamente possível? Quais segredos poderei descobrir? Quanto tempo será necessário para o processo de restauração?

Nota1: Essa história é a continuação de Arthius - Entropia Multiversal
Nota2: Seu autor é José Carlos Junior