segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XX)


FANTASMA DECADENTE




A Clasíoda começara pra valer. Maori já vagava por terras áridas, visando alcançar seu destino. Pensava também sobre a jornada até então enquanto caminhava cautelosamente:

- Algo lhe incomoda?
- Sim, Lilith. Essa prova, esse monitoramento... tudo estranho. Parece que estão fazendo questão de nos observarem.
- Pensei algumas coisas durante um tempo. Tenho uma suspeita sobre ti...
- E o que seria?

Um estrondoso barulho interrompe o diálogo.

- Isso certamente indica um embate. Devemos averiguar.
- Certo. Vamos...

Ao me aproximar fui surpreendido por enormes pilares de luz. O Hallstar disputava forças contra o Draus. Decidi apenas me esconder e observar aquele confronto.

- É só isso que sabes fazer? Provocou Hallstar.
- Já conheço teus truques. Baixe a sua guarda e encontrarás morte certa. Draus preparava-se para mais uma onda de ataques.

A briga intensa causava uma tremenda barulheira. A chegada da Hazz era só questão de tempo. Hallstar criou ilusões, porém a absurda velocidade de Draus fez com que tal técnica se tornasse inútil.

- Tolo. Minha percepção aguçada me permite formular uma resposta quase que imediata aos movimentos inimigos.
- Parece que terei de pegar pesado. Suspirou Hallstar.

A pouca vegetação do local começou a murchar. O ar incomodava de tão seco. Um misterioso casco adornado com caveiras cobriu o corpo do Guardião.

- Relíquia da Morte: absorção metafísica.
- Uma técnica e tanto...
- Não estás surpreso?
- Já conheço tal habilidade. Sou perito em artefatos, caso não saiba. Draus mantinha a tranquilidade.


Hallstar tinha força e mortalidade. Draus era veloz e astuto. Ambos não economizavam esforços no confronto. O guerreiro fantasma achou uma brecha na guarda do inimigo, investindo com todo poder. Draus tombara, aparentemente destruído.

- Tanta falação pra nada. Resmungou Hallstar.

Maori ainda assistia atentamente:

- Acabou?
- Sim. Hallstar acaba de perder.
- Como assim, Lilith?
- Observe.

Um imenso feixe de luz atravessa Hallstar repentinamente.

- Desgraçado! Como...
- Qual parte de conhecer seus truques não ficou clara? Usando um poder tão destrutivo desse de forma descuidada.
- Maldito. Então...
- Exato. Sei a única fraqueza dessa técnica: justamente o casco. É o que te protege de ser consumido pela energia ao redor. Agora desfrute de uma morte lenta e dolorosa, verme.
- Não me deixe aqui!!!

Draus continuou a caminhar enquanto Hallstar agonizava.

- O que diabos foi aquilo?
- Aquele Draus... Tome cuidado, Maori.

Instantes após o começo da Clasíoda o jovem Elite percorreu vários salões do templo. Sethytys tinha um gosto refinado. A beleza do lugar era inegável.

- Um jardim. Devemos descansar um pouco.
- Certo, Lilith. Podemos continuar nossa conversinha.
- Pois bem... Lembro que o Orochi estava conduzindo um estudo secreto sobre as Cinco Atríades Multiversais.
- Ok. Não entendi nada.
- Segundo a teoria das Atríades cada Entidade pode escolher um ser como uma espécie de receptáculo, outorgando ao indivíduo imensurável potencial.
- Logo a suspeita sobre mim...
- Exato. Acredito que és a Atríade da Criação. Sua sincronia com os escritos do templo de Mastermind, a evolução exponencial do Etherium, a recuperação quase impossível...
- Conhece os outros iguais a mim?
- Sim, mas isso é assunto pra outro momento. Gyruda provavelmente aguarda nossa chegada.


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A Lilith revelou algo surpreendente ao Maori. Quais segredos tal relíquia misteriosa esconde? Quem seriam as outras Atríades Multiversais?

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XIX)



DESAFIANTES DA CLASÍODA




As coisas pareciam tranquilas. Maori refugiou-se no templo para colocar os pensamentos em ordem. Aquela interrupção da Vashirah ainda o incomodava. Qual a necessidade de Vangladius mandá-la pessoalmente? O que é exatamente essa Mão Multiversal?

- Então estás aqui. Procurei na floresta mas não te encontrei...
- Shienn? E pensar que já faz um tempo que não nos vemos neste local. O que deseja?
- Vangladius requisita a presença dos Elites no castelo.
- Irei imediatamente.

Arthius prosperava mais do que nunca. O reino – lotado de comerciantes – transbordava além das próprias fronteiras.

- Poderia me adiantar do que se trata? Maori perguntou.
- Relaxe. Logo saberás...
- Olá, mestra.
- Acompanhe-nos também, Hazz.
- Quem é esse? A garota direciona um olhar ao jovem Elite.
- Ah, o mascarado? É o Maori.

Apenas acenei com a cabeça. Aquela expressão fria e morta me incomodava um pouco. Ela é aprendiz da Shienn. Pareciam mãe e filha, considerando a semelhança no comportamento.

Vangladius aguardava a chegada dos convocados a fim de iniciar o pronunciamento oficial. Haviam uns 30 guerreiros já presentes, contando os Overlords. Todos – aos poucos – se acomodavam...

- Saudações, Guardiões!! O motivo de reunir os senhores é nobre. Vashirah?
- Sim... escolhemos alguns nomes para conceder a chance de participar da Clasíoda. Trata-se de uma prova onde os vencedores serão promovidos ao nível mais alto. Antes de prosseguir vamos aos sortudos...
- Assumo daqui. Hazz, Draus, Maori e Hallstar!! Deem um passo à frente!! Vangladius exclamou.
- Peço ao restante dos Elites que saiam. Shienn, aos detalhes. Disse Vashirah.
- Certo. Na região subterrânea desse castelo há o templo de Sethytys, a Entidade do Espaço. Dentro do local há Gyruda, o qual é encarregado de proteger os tesouros. A missão é trazer um dos pergaminhos enterrados nas lápides situadas nas costas dele. Só existem dois: o Selo da Luz e o da Escuridão.
- Então é só ir lá e derrotá-lo? Perguntou Hazz.
- Claro que não. Gyruda é astuto e também possui ajudantes. Provavelmente vocês lutarão entre si. É possível que morram. Desejam ir?

Ninguém recuou. Shienn deu um sorriso malicioso e apontou em direção às escadarias que davam acesso ao complexo do subsolo.

- Ah, quase esqueci. Há vários portais, sendo que a saída será em uma região aleatória do templo. Uma vez dentro do lugar a prova começa pra valer.

Os desafiantes partiram. Shienn retornou ao encontro dos demais Overlords.

- Preparei esse sistema de monitoramento. Poderemos acompanhar em tempo real os participantes. Disse Vangladius.
- O Maori é forte, mas acho que o Draus acaba com ele.
- Não o subestime, Blossom. Asuka usa um tom sério.
- É tão bonitinho ver a Asuka falando dele...
- Ela tem razão. Aquele garoto tem muito mais poder do que aparenta...
- Como tens tanta convicção no que dizes, Vashirah?
- Digamos que consigo enxergar um potencial enorme nele. Assistam e aprendam. Essa competição revelará o quanto os quatro evoluíram.



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O que acontecerá na tal Clasíoda? O Hallstar retornou à cena, mas quem são os outros dois?


ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XVIII)


OLHOS DA DESTRUIÇÃO






Ukira estava um tremendo caos. Invasões eram reportadas em todas as direções pelas unidades de guarda do local. Messtrauss esmagava impiedosamente o exército do próprio irmão, o qual ocupava-se numa luta.

- Criatura insistente. Ousas desafiar-me?
- Mais ação, menos papo...

O Deus do Sul sabia que tinha que acabar rapidamente aquele confronto, todavia o oponente dele não era nada menos que uma Guardiã. A guerreira não demonstrava cansaço, o que adicionava uma sensação frustrante ao Ukira.

- SENHOR!! SENHOR!!
- O que foi agora?
- Devemos evacuar imediatamente. As tropas de Messtrauss já conquistaram todo o complexo residencial e estão avançando rumo à praça central.
- Posso dar conta disso. Ordene ao restante que fuja!
- MAS S-SENHOR...
- Isso é uma ordem, soldado!

O subordinado deu às costas em direção ao seu objetivo quando uma chama reluzente dominou o lugar. Praticamente tudo virou cinzas numa breve fração de segundo.

- Há quanto tempo, irmão...
- Messtrauss, seu desgraçado!

A divindade do Norte não economizava em vaidade. Sua armadura ardente fazia até as partículas presentes no ar ao redor tornarem-se plasma.

- Por que demorou tanto? Haviam apenas mortais em teu caminho.
- Digamos que os homens daqui receberam o treinamento adequado.
- Você elogiando alguém além de si mesmo? Onde está aquele ser ímpio que ousou difamar minha supremacia?
- Diante de ti, preparado para uma última dança.

As energias das divindades chocaram-se, criando uma distorção entre o espaço-tempo. Ninguém poderia interferir naquele embate, pois qualquer um que tentasse seria anulado por tal fenômeno.

- Asuka!
- Maori! Onde estava?
- Isso não importa agora. Essa quantidade de poder massivo destruirá toda a região de Ukira em breve. Devemos recuar.
- Não há motivos em voltar. Esqueceste do nosso intuito?
- A Mão Multiversal, eu sei...
- Tudo bem, assumo daqui. Podem ir.
- Vashirah?
- Entendido. Vamos, Asuka.

A vice comandante de Arthius invadiu a dimensão distorcida onde os irmãos lutavam freneticamente.

- Impossível! Não deveria existir alguém capaz de tal façanha.
- Pois existe. Vim pegar a Mão Multiversal pessoalmente. Significa que infelizmente encontrarão a destruição.
- Pelo jeito sabes demais...
- Posso ampliar minha Essência ao ponto de me tornar uma só existência junto ao tudo e o nada. Conheço tudo que provém do material e imaterial. Aceitem a inferioridade perante a mim e prometo-lhes um fim digno.
- CALE-SE!!!

Os deuses avançaram furiosos na direção de Vashirah.

- Apague o futuro com seu olhar do castigo supremo, ó Galish!!! A Guardiã retirou a venda.

Um clarão imenso fora visto por todo Mundo Transcendental. Aquela magnificência era testemunhada até pelo povo de Arthius:

- Sentiu isso? Que técnica perigosa. Comentou Ice.
- Ela invocou Galish, a relíquia do castigo. Disse Vangladius, sério.

Uma presença adentra o salão do castelo:

- Shienn... reporte.
- Tudo ocorre como planejado. Vashirah obteve a relíquia tão desejada por Ashtar.
- Reúna todos os Elites no centro do castelo. Daremos início à última fase antes do ataque decisivo.
- Como quiser...


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Última fase? O que Vangladius estaria tramando? Qual será a importância da tal Mão Multiversal?

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XVII)



O ANJO DE WOLTRAX






Asuka observava atentamente a passagem constante de tropas de soldados armados pelos portões fortificados de Ukira. Uma invasão furtiva parecia o melhor método.

- Me pergunto onde está o Maori agora...

Após uma pequena esquivada dos olhares atentos dos militares a ruiva alcançou a praça central da cidade, onde uma enorme escultura ao deus Ukira encontrava-se cheia dos mais diversos ornamentos e presentes.

- PARE AÍ, AGORA!!! Asuka ouviu um grito.
- Algum problema?
- Pelo visto és forasteira. Todos que passam por aqui devem se curvar perante a imagem do nosso Senhor.
- É o seu deus, não meu.
- AJOELHE, HEREGE!!!

Um grupo de uns vinte guerreiros cercou a guerreira rapidamente:

- Estou feliz com tamanha hospitalidade.
- ACATE A ORDEM! ÚLTIMO AVISO!!!
- Me obrigue. Asuka já empunhou Ryujin.

A jovem de Naturia era implacável. Meros capachos de Ukira não tinham a menor chance. Foram pilhados como míseras baratas...

- Alguém mais quer tentar me converter?
- É... É UMA GUARDIÃ!!! ALERTA MÁXIMO! ALERTA MÁXIMO!

Alguns membros da guarda começaram a tocar uma espécie de trombeta. Parecia um tipo de chamado, invocação ou algo relacionado.

- Tudo está escurecendo. O que significa isso?
- Trema diante da ira do nosso Senhor! Ele te punirá severamente por tamanho atrevimento e heresia!

O céu foi dominado por um tom morto, apesar de ainda haver luz. Uma criatura desceu daquela densa paisagem, rasgando os céus com sua magnitude divina.

- É anunciada a chegada do nosso Senhor Supremo!

Todos no local curvaram-se imediatamente, restando de pé a Guardiã.

- Atreve-se a encarar-me, ser inferior?
- Então és o parasita que se alimenta da glória de fanáticos? Que patético... és uma completa desonra para o Multiverso. Deuses... sempre figurando o ego de imbecis carentes por atenção. Marionetes criadas para que os tolos justifiquem a morte e o sofrimento.
- Como ousa proferir tantas calúnias contra minha superioridade? DESAPAREÇA!!!

Ukira brandiu sua foice negra, cortando literalmente o vento. Tudo que aquela foice tocava era anulado e absorvido pelas trevas.

- Acho melhor nem “triscar” nisso. Asuka suspirou.

A luta – bem equilibrada – perdurou por um bom tempo. Nenhum dos combatentes aparentava cansaço ou vantagem. A guerreira procurava uma abertura entre as investidas de Ukira, mas este previa qualquer tentativa audaciosa de desferir golpes.

- Ainda é tempo de rendição! Ajoelhe-se perante a mim e pensarei em poupar vossa miserável existência.

Uma grande explosão interrompe o discurso do ser divino:

- SENHOR!!! SENHOR!!! RELATÓRIO!!!
- O que foi agora?
- As tropas de Messtrauss estão invadindo. O pelotão que guarda os portões será derrotado logo. Providências imediatas são necessárias.
- Eles já unificaram o Norte? Impossível. Um ataque num momento desses... certamente haviam espiões entre nossos homens! DESTRUAM-NOS!!!
- Mas Senhor...
- Suma de minha vista antes que eu te pulverize, idiota.
- S-S-S-SIM, SENHOR!!! O soldado parte em disparada.
- A brincadeira acaba agora... Ukira concentra mais poder em sua foice.
- Errado. A diversão está só começando... Asuka sorri.

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Conseguirá Asuka triunfar sobre Ukira? Onde estará Maori? Qual será o resultado da invasão do povo de Messtrauss?

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XVI)



CHAMA ASCENDENTE



O precoce amanhecer já banhava os arredores de Qli, indicando o momento de partida dos jovens guerreiros.

- Então o objetivo de vocês é a capital?
- Exato. Suspeitamos de algumas coisas envolvendo esse povo de Ukira. Temos de averiguar o quanto antes.
- Eu até me ofereceria para ajudar, porém tenho que manter a vila segura.
- Não se preocupe. Daremos conta do recado. Asuka sorriu.

Os Guardiões se despediram do povo hospitaleiro de Qli e continuaram sua jornada rumo à Ukira. O clima só piorava à medida que se aproximavam do destino:

- Mantenha a atenção redobrada, Maori.
- Nem precisava comentar.

Uma energia intensa dominou repentinamente o local:

- Ora, ora, ora... o que temos aqui? Se não é o Maori...
- Quem é você?
- Onzatsu, o nascido do ódio.
- O que queres?
- Acham mesmo que poderiam atacar Ukira enquanto nós assistíamos sentados?

Criaturas apareceram aos montes, com garras e presas afiadas. Claramente aquilo era uma engenhosa emboscada.


- Parece que alguém precisa de ajuda.
- Mascarado? Bem na hora.
- Cuidado com esse cara. Algo me diz que esse tal Onzatsu é perigoso.
- Pode deixar.


Maori investia com cautela, todavia a postura do novo oponente mostrava-se eficiente.

- Decepcionante. Esperava mais de ti.
- Esse desgraçado está lendo meus movimentos? Fala sério.
- Maori, eu cuido disso. Vá para a capital!
- Tens certeza?
- Ainda não testei umas relíquias.
- Entendido. Nos encontramos depois, então. Boa sorte. Maori desapareceu.
- Uma garota quer lutar comigo? Que ultrajante!

Asuka aproveita a distração de Onzatsu e o golpeia rapidamente:

- Mas que droga foi essa? Vadia miserável!
- Cometeste um grave erro ao procurar briga comigo. Prepare-se, pois uma morte lenta e dolorosa o aguarda, verme.

A intensidade daquele confronto devastava o local de uma forma assustadora. A força gravitacional emitida pela troca de golpes estraçalhou as criaturas que acompanhavam Onzatsu, ocasionando uma chuva de sangue. O inimigo – habilidoso – conseguiu deflagrar diversos golpes certeiros, mas estes não surtiam efeito algum.

- Desgraçada! Eu já perfurei seu peito dez vezes. Por que você não morre?
- Sabe como sou conhecida pelo povo de Naturia? A “Chama do Inferno”. Não importa o quanto tente. Eu alcancei a plena imortalidade. É um segredo que tenho guardado há certo tempo.
- Sortuda... ainda não atingi o potencial máximo... Onzatsu resmungou.
- Cai dentro, viadinho! Asuka fez um gesto provocativo.

O inimigo frustrava-se encarando tal cenário. Asuka ficava mais insana e rápida na proporção que sangrava. As montanhas nos arredores foram reduzidas à cinzas.

- Já me diverti o bastante contigo, fracote.

A ruiva brandiu Ryujin (a relíquia dela, lembra?), absorvendo a luz de todos os astros próximos.

- Até então não sou forte o bastante, garotinha de Arthius. Até a próxima... HAHAHAHAHA!!! Onzatsu desapareceu.
- Ufa, pelo menos não precisei usar isso. Mal sabe ele que não dominei essa técnica completamente. Asuka suspirou, guardando Ryujin.

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Qual o motivo da aparição do Onzatsu? Estaria ele apenas testando sua capacidade? Conseguirá Maori alcançar Ukira?

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XV)


TERRA DOS FANÁTICOS





- Por quanto tempo mais teremos que andar?
- Não sei ao certo, porém acredito estarmos perto.
- Esse frio é algo incomum, Maori.
- Pois é.

A região Sul de Woltrax – castigada por uma incessante neve – dificultava o percurso dos Guardiões. Vales pareciam abrir um estreito trajeto entre as montanhas...

- Sentiu isso, Asuka?
- Sim. Aproxime-se.

Uma certa hostilidade fez o clima pesar. Desconhecendo a possível ameaça o casal de guerreiros mantinham os olhos atentos.

- O que fazem aqui?
- Quem é você?
- Sou eu quem faço as perguntas, garoto.
- Será que ela é um dos militares? Essa lança dela é estranha.
- Eu? Com aqueles porcos de Ukira? Não me sacaneie, por favor. Sou Kasumi, a Lanceira Lendária. Ajudo a proteger meu vilarejo dos fanáticos de Ukira.
- Sei... E por qual motivo eles te atacariam?
- Não conheces a história de Woltrax? Vamos até minha vila. Te contarei os detalhes no caminho. Acompanhem-me.

Kasumi dividiu conosco o mito de criação do Mundo Transcendental. Nos primórdios haviam dois deuses irmãos, responsáveis por manter o equilíbrio de tal mundo:  Messtrauss e Ukira. O primeiro era a divindade solar e o outro, a gélida. Ambos guiavam os seres no caminho da prosperidade. Messtrauss – tomado pela radiante vaidade de tua essência – difamou Ukira perante às criaturas que ali viviam, proclamando-se o mais poderoso. Aquilo gerou um alvoroço enorme e acabou espalhando o caos pelas terras. O povo separou-se entre os adoradores de ambos os deuses, disputando constantes batalhas através dos tempos. O conflito apenas acabará quando um dos lados for completamente exterminado. E – segundo o tal conto – o grupo vitorioso possui o pleno direito a todos os territórios do Mundo Transcendental.

Alcançamos um peculiar local. Construções abundantes, chegando a preencher muitas árvores.

- Sejam bem-vindos à Qli. Vamos aos aposentos de Rayron.
- Quem é esse? Perguntou Asuka.
- Meu irmão e chefe daqui.

O guerreiro nos recebeu com um belo sorriso. Sua casa aparentava modéstia para os observadores externos, mas aquele encanto era algo difícil de achar mesmo nas luxúrias pelo multiverso afora.

- Sintam-se à vontade. Aceitam alguma coisa?
- Sim, por favor.

O papo foi desenvolvendo enquanto os presentes desfrutavam da farta refeição:

- O que os trazem a tais terras? Perguntou Rayron.
- Digamos que nosso intuito é manter os olhares em Ukira.
- Aquela cidade de fanáticos intensificou sua manobra de expansão. Eles adotaram uma política integralista, visando anexar todos os lugares menores do Sul antes de avançar para o Norte.
- Então provavelmente o pessoal de lá está fazendo o mesmo.
- É o que tudo indica, infelizmente. Parasitas gananciosos que só pensam nessa guerrinha idiota deles.
- Complicado.
- Mas, então... vocês formam um belo casal. Rayron riu.
- Ah, obrigada. Asuka abraçou Maori.
- Se fosse solteiro ia te oferecer a mão da Kasumi. Ela é uma encalhada que só pensa em lutar.
- Aff, Rayron! Me envergonhando na frente dos convidados. Mamãe puxaria sua orelha se estivesse aqui! Kasumi parecia levemente constrangida.

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XIV)

Lutando para que as ideias não se esgotem... rs


CAPÍTULO XIV – DESEQUILÍBRIO


- Abra seus olhos...
- Finalmente! Deu certo! A criatura perfeita!


Os membros do centro de pesquisa da Cúpula comemoravam. O ser misterioso despertara, indicando o êxito do projeto Tao.


- Diga-nos teu nome...
- Onzatsu, a reencarnação do ódio. Sou resultante da mistura das essências contidas no sangue de dois Nephilins, adicionando o poder massivo de relíquias sombrias.
- Isso eu já sei. Pronto para me servir? Ashtar parecia entusiasmado.
- Só devo obediência ao lorde Igniz. Cuidado com o tom de voz, inseto inferior...
- Ora, como ousa!


Antes que Ashtar pensasse em atacar ele foi atingido por Onzatsu.


- Desgraçado. O que fez comigo?
- Instalei nano bombas de Etherium condensado em ti. Qualquer gracinha e te transformo em pó. Alguém mais quer tentar?


As inscrições no corpo de Onzatsu lembrava Orochi, mas sua aparência era de um espectro bem negro. A Cúpula acabou criando algo além da compreensão.


Enquanto isso, no reino de Arthius...


- Maori! Pelo jeito já retornara. Temos assuntos sérios a tratar... acompanhe-me.
- Certo.


A sala de reuniões parecia vazia. Mais uma reunião confidencial...


- Por que demorou tanto, garoto?
- Vashirah? Como você...
- Isso não interessa agora. Vangladius?
- Sim... direto ao ponto. É do conhecimento dos senhores que Ashtar busca a onitotalidade a qualquer custo. Recebi informações de fontes confiáveis que um estranho artefato foi encontrado na cidade de Ukira, capital da Província-Estado de Woltrax.
- O problema é que Woltrax é famosa por sua hostilidade, visto que a mesma fora fundada sob preceitos militaristas. E tem mais: pesquisei no Labirinto das Mil Palavras e achei uns escritos mencionando a “Mão Multiversal”. Disse Vashirah.
- O que seria essa tal mão?
- Ela pode localizar a própria onitolidade. É uma chave para a dimensão oculta da tal relíquia. O pior é que os detalhes fornecidos coincidem com a mesma. A Cúpula não pode conseguir a Mão Multiversal sob hipótese alguma!
- O que estamos esperando?
- Calma. Essa missão não será nada fácil, portanto me senti na liberdade de recrutar mais um membro para a Society. Entre, por favor! Vangladius gesticulou de maneira convidativa.
- Asuka?
- Olá. Darei o suporte necessário.
- Certo. Você e o Maori irão até Ukira investigar. Falhar não é uma opção! Dispensados!


Maori fazia os últimos preparativos no templo, quando uma voz repentina o surpreende:


- Vai se divertir um pouco? Me chama, ué.
- Lilith? Até que enfim despertou!
- Sei que estava com saudades.
- Pode voltar a dormir...
- Brincadeirinha, brincadeirinha. Lilith riu.
- Meu destino é Woltrax. Conhece o local?
- Infelizmente sim. Aquela terra infestada de fanáticos malditos. Só pensam em guerras, morte e deuses... parecem até aqueles vermes dos humanos... ops, desculpe.
- Tudo bem.


O anoitecer seria o momento perfeito para uma saída discreta. Pergunto-me quais mistérios tal lugar poderia reservar. Será que os habitantes de lá são tão insanos?