sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (II)

"Mesmo após tanto tempo escrevendo ainda me deixo fascinar pelo modo espontâneo que as ideias surgem. Não é algo como um esforço criativo ou coisa parecida. É tão imprevisível quanto a morte ou a revelação do até então desconhecido. Vamos direto ao ponto antes que eu comece um monólogo".
-José Carlos Mikashi


O GUERREIRO RECLUSO




O luar banhava o precoce anoitecer. Não conseguia dormir, pensando nos tipos de desafios que me aguardavam. Os astros pareciam coexistir com a infinidade de questionamentos intrigantes. A distração constante revelou um majestoso amanhecer, sinal do começo de uma nova fase.



- Já está acordado, garoto? Temos muito trabalho hoje.

- Não consegui dormir justamente por isso.
- Saco vazio não se mantém em pé. Acompanhe-me.

Uma mesa bem adornada era o altar das mais variadas delícias. A fartura encantava os olhos do jovem.

- Há outros neste templo? Perguntou Maori, curioso.
- Não. Aqui é uma região isolada, como facilmente percebe-se. Falando nisso... algumas ponderações...
- Do tipo?
- Sou deveras metódica e perfeccionista. Não quero, de forma alguma, interferências no seu processo de restauração. Não lhe é outorgado, até segunda ordem, o direito de estabelecer algum contato externo. Espero ter sido clara. Marin direcionou um olhar frio.
- Calma, tudo bem. A senhora que manda... Maori sabia que não podia “dar testa”.

Na área exterior do templo o Elite recebia instruções iniciais, tal qual informações diversas:

- Não pude deixar de notar os escritos daqui...
- Este local é de fundamental importância na história do reino.
- Explique melhor, se possível.
- Claro. É dito que, quando as representações astrais das Entidades ainda habitavam estas terras, havia o Altar da Supremacia.
- E o que seria isto exatamente?
- Não é novidade que as Entidades adoram testar as outras criaturas. Pois bem... tal estrutura foi criada visando encontrar um ser digno do poder absoluto. O próprio altar guardava no seu interior a “onitotalidade”.
- Oni o quê?
- Onitotalidade: é o grau máximo conhecível da complexidade existencial, almejado até pelos deuses. O étimo de tal composição é desconhecido até pelas criaturas primordiais. A relíquia suprema, em miúdos.
- Alguém provou-se capaz de controlar isto?
- Pelo contrário. Muitos se deixaram corromper, cobiçando o artefato supremo. Guerras foram travadas entre grandes nações na esperança de obter a premiação: a oportunidade de usurpar da absoluta hegemonia. Temendo o caos, Mastermind – a Entidade do Poder e da Criação – lacrou a onitotalidade em uma dimensão paralela. As equipes de inteligência do nosso reino desconfiam que o próprio Ashtar pretende achá-la, consolidando assim a potencialidade da sua aura.
- Ele não é o portador do último estágio? Por que esta ferramenta é tão necessária aos planos dele?
- A última fase do Etherium é um abismo que separa os seres comuns dos chamados “onitotais”. Para efetivar a unificação multiversal, o imperador da Cúpula necessita de um nível massivo de energia. Este templo é o remanescente da construção que um dia abrigou a arma do impossível.
- É incrível como, mesmo depois de tanto tempo vivendo aqui, ainda me surpreendo com a quantidade de histórias do reino.
- Bem, acho que já conversamos o bastante. Preciso averiguar pessoalmente sua eficiência em combate.

Marin invocou uma densa tempestade, dificultando severamente meu campo de visão:

- Isso não me parece justo.
- O pior cego é aquele que vive com os olhos abertos mas não compreende o que há além. Pare de resmungar e lute!



Maori, praticamente sem poderes, tenta se orientar no cenário adverso. Será ele capaz de superar tamanha dificuldade?