sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (III)

Dando continuidade ao processo “criativo” (parece até que eu sei escrever bem).



DANÇA DA CHUVA






O som incessante das gotas de água caindo ao solo suprimiam qualquer outro ruído que pudesse tirar minha concentração. A única coisa claramente visível eram os olhos dos espectros que perambulavam pelo vale.

- Todos nós, como essência, somos movidos por algo. A fagulha primordial, aquilo que nos motiva... Qual é a sua, garoto? Proferiu Marin, com uma voz ecoante.
- Quem disse que preciso de incentivo?
- A imperfeição deixa isto bem claro. Seres que não compreendem a plena virtuosidade costumam procurar sentido até nas coisas irrelevantes. Você é humano... estudei durante anos o comportamento de tua raça.
- Cuidado, senhorita. Generalizações são cofres da tolice.
- Certamente. A única razão pela qual estou treinando-te é uma suspeita proveniente de um comentário da Vashirah... ops, falei demais.
- Tentando me distrair? Adoro jogos mentais.

Marin avançava implacavelmente, ignorando a ausência de poderes do jovem Elite. Maori tombou no chão, cuspindo muito sangue.

- Tenho a leve impressão que estás tentando me matar.
- Vangladius disse que poderia caso não mostrasse nenhuma melhora.

O guerreiro olhava atentamente seu reflexo manchado de sangue. O desespero em encontrar uma solução rápida dificultava o raciocínio:

- Até quando a mocinha vai brincar de saco de pancada? Tal frase ecoou na mente de Maori, seguida de uma medonha risada.
- Essa voz... nunca pensei que sentiria alívio por ouví-la.
- Pulemos o sentimentalismo barato. Esquecestes que és um Nephilim? E aquela ceninha contra o Illyasvel sem me consultar? Egoísta de merda.
- Soa engraçado, partindo do meu próprio ego. E quanto aos outros?
- O mascarado e a Lilith encontram-se adormecidos até o momento. Vai uma mãozinha?
- Seria uma boa.

A névoa cobriu totalmente o campo de visão do Elite.

- Lembre-se das minhas palavras, Maori... Domine o imprevisível, fuja um pouco dos padrões.
- É fácil falar quando não é você a vítima de espancamento... Maori forçou um sorriso.
- Pare de reclamar.
- Ou?
- Desafiando-me?
- Medo? Cai dentro.
- Acabaste de cavar a própria cova.

Marin investiu diretamente contra o jovem. Num mero instante ela teve seu braço agarrado:

- Mas como? 
- Nada pessoal, mas detesto ser acordado.
- Esse olhar... a parte primitiva...
- Prazer, agora morra!!!

Um imenso clarão varreu a névoa do local. A monitora recuou bruscamente. Maori, já consciente, a encara friamente:

- Ódio... aí está a resposta para sua primeira pergunta.
- Interessante... Realmente gostei do que vi. Pude notar uma constante agitação no núcleo do seu Etherium.
- Isso significa?
- Precisamos “descongelá-lo”, grosseiramente falando.

Já no salão interior, Maori se enxugava enquanto Marin trazia uma bebida:

- No início pensava que fosse um caso perdido, todavia quando testemunhei tamanha fúria...
- É do meu feitio surpreender. O que é isso?
- Meira, um composto de mel e marejas. Disse Marin, enquanto enchia o copo.
- Não desperdice a bebida, droga!
- Observe atentamente...
- Onde quer chegar?
- O copo é como sua mente. Duvidar é um ato essencial ao aprimoramento intelectual do indivíduo, mas cabe a este saber filtrar os pensamentos relevantes. Mantenha o recipiente cheio, porém não permita que as grandes ideias transbordem. Capture e fixe tudo que é importante! Marin direciona um olhar sereno ao jovem.
- Os Overlords escolheram bem... Proferiu Maori, surpreso com tal situação.
- Sobre o Vangladius ter autorizado o uso de força letal: só falei aquilo como incentivo, desculpa.
- Ufa, que susto!
- Descanse, pois teremos uma longa jornada. Acredito que podes materializar teu próprio uniforme agora que respondeste aos estímulos. Alguma ideia em mente?
- Gostei daquele manto dos espectros. Posso adaptá-lo...
- Ah, e quero você mascarado. Contato interpessoal só atrapalharia o treinamento. Providencie isto também!
- Certo...



Quais segredos serão relevados nesta tal jornada? Quanto tempo será necessário para a plena recuperação de Maori? Conseguirá nosso jovem superar todas as provações?

                                                             
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