sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (IV)

Ainda não me acostumei completamente ao processo de criação sem meu antigo caderninho de anotações, porém nada que o tempo não resolva. Inacreditável o ritmo com o qual as ideias surgem...


SERES PÚTRIDOS




- Qual será nosso destino?
- Logo verás, jovem...

Pude rever Arthius. Curiosos não disfarçavam o interesse em ver o rosto por trás da máscara de pentagrama.

- Quem são aqueles guerreiros? Reforços? Não me recordo de tê-los visto.
- Não é da nossa conta. Terás muito tempo para descobrir após recuperar seus poderes.
- Como quiser...
- Me dê sua mão. Tenho que te mostrar uma coisa.

Quando notei estava envolto em uma paisagem marcada por fumaça e destroços. O clima pacífico negava a possibilidade da presença de alguma vida no local.

- Que sensação estranha...
- Parece familiar, não? Eis o planeta Terra, o berço da raça humana.
- Então eles viviam aqui antes de Sedna?
- Exato. Contemple o resultado da ignorância, do culto ao ridículo, da exacerbada mediocridade. É revoltante presenciar um mundo, farto de recursos em outrora, destruído pelos caprichos de parasitas egocêntricos. Memorize bem esta cena, garoto. É isso que acontece quando não nos reconhecemos como parte deste todo...
- Uma estratosférica beleza já imperou aqui. Lembro das imagens nos registros do Labirinto das Mil Palavras.
- O processo é reversível, todavia levará tempo.
- Sedna provavelmente terá fim semelhante.
- Recebi informações seguras de outra guerra biológica envolvendo humanos. Questões religiosas...
- Por que o homem possui a incessante vontade de se projetar numa absoluta perfeição?
- Desejamos o que não nos pertence e podemos enlouquecer pelo que nunca será nosso por direito. A vida é um fenômeno superestimado. Observe atentamente o grandioso multiverso, sempre indiferente quanto a nossa existência.
- É tolice tentar explicar o natural usando o sobrenatural...
- Lacunas místicas são a válvula de escape dos tolos arrogantes, os quais não são dotados da mínima decência de reconhecer as próprias limitações.
- Vermes miseráveis... depois de anos consegui compreender o discurso da Kataru. Malditos sejam, parasitas sujos!

Marin, temendo o comportamento instável de Maori, trouxe-o novamente ao centro do Vale:

- Não quis te torturar ou algo do tipo. Um dos fundamentos para o controle pleno da tua Essência é justamente o conhecimento, a compreensão e percepção do “eu”. Você treinava regularmente no templo do Mastermind, consequentemente percebendo a progressão exponencial de seu poder ao reagir com os escritos de lá.
- Faz sentido. E agora?
- Seu foco certamente era manipulação mental, julgando pela leitura de energia. Acredito que uma densa exploração aos altares das Entidades é a chave para nosso objetivo.
- Ouvi boatos sobre a localização dos mesmos, mas nada concreto.
- Quatro dos cinco lugares conhecidos estão em pontos mais remotos do reino. Podemos ir à biblioteca de Arthius visando coletar as coordenadas precisas...
- Não há tempo a perder.

A jornada em busca do desconhecido era prioridade aos olhos do Maori. As questões administrativas, sua posição militar... Nada daquilo faria sentido sem poder.

- Está é minha primeira escolha. Vamos!



Qual será o destino do nosso jovem? Todo esse esforço resultará em algo realmente satisfatório?