sábado, 9 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (IX)

Já comentei que essa segunda fase está dando muito mais trabalho que a anterior? Pois é...



O CÁLICE DA GLÓRIA






- Ashtar, espero que tenha concluído os projetos. O prazo foi até generoso...
- Conseguimos manipular com êxito os rastros de Etherium contidos nas amostras de sangue dos Nephilins. O experimento aguarda autorização para despertar do estado suspenso.
- E quanto ao outro planejamento?
- No processo de implantação. Providenciei alianças com facções opostas ao reino de Arthius. As manobras ofensivas começarão brevemente.
- Excelente. Assim que a fundação de Dalkart estiver concluída ative a experiência.
- Como quiser, lorde Igniz.

Muito longe dali, Maori ainda procurava por respostas no templo de Ostiev. Após o inesperado encontro com Ashtar ele continuava sua aventura salões adentro.

- Porta interessante. Pergunto-me o que pode estar no interior.

Aquele acabamento peculiar pareceu um convite. Cheguei num local deveras bizarro. Várias outras portas flutuavam, dançando num pálido fundo branco. Sentia-me numa outra dimensão. A mesma pedra contida no Círculo aparecera novamente:

- Bem-vindo ao salão central. Cada porta dessa te levará a um desafio. Faça tua escolha, mortal.
- Você de novo, Zotur. Vejamos... Quantas opções tenho?
- O número de caminhos possíveis é imensurável.

Decidi entrar numa porta cujo ornamento era uma cabeça de dragão. Uma espécie de labirinto revelou-se diante de mim:

- Qual o significado disso?
- Este é o lar de Sabdulla, o dragão de 666 cabeças. Em algum ponto daqui esconde-se o Cálice da Glória, protegido pelo próprio Sabdulla. Nem preciso comentar o que deves fazer...
- Entendido.

O silêncio era perturbador. Aquelas paredes idênticas me desorientavam. Tentei usar minhas habilidades visando simplificar o desafio, mas um enorme selo de restrição do labirinto drenava o Etherium. A determinação queimando em meu ser fazia-me recusar a morte. De jeito nenhum morrerei vagando no desconhecido... não depois de tudo que passei.

- Esse som... sirens aqui?

Decidi seguir o canto, já que não possuía ideia melhor em mente. A sonoridade – quase inaudível de princípio – aumentava à medida progressiva de meus passos. Eis que alcanço um enorme salão, onde uma gigantesca criatura repousava no centro. As sirens cantavam constantemente, como uma canção de ninar. Notei um feixe de luz saindo da entrada de um túnel ao final da sala. Apostei na furtividade, porém as sirens se assustaram com minha presença. As desgraçadas emitiram um som tão agudo que quase fiquei surdo:

- Parem! Suas vadias barulhentas!!!

Obviamente Sabdulla despertou. Nunca tive tantos olhos direcionados a mim... O dragão deu uma enorme baforada, formando um grande redemoinho:

- Por que tudo aqui fede a enxofre?
- Suo Sabdulla! Qetues malrot?
- Mas que porra de idioma é esse?
- Mu lotim, mu tormin!!!

Sabdulla não aparentava ser muito sociável. Fugi até a pequena entrada, seguindo o misterioso rastro de luminosidade. Corri pela caverna enquanto ouvia o dragão berrando em aparente fúria. Alcancei uma plataforma rochosa acima de um lago de lava. Um objeto dourado e de brilho ofuscante reagia violentamente com minhas auras:

- Será este o tal cálice?

O maldito dragão apareceu subitamente da lava.

- Aj tefso lungia, lotim malrot!!!
- É tudo ou nada...

Segurei o artefato pitoresco. Sabdulla encarou-me, bebeu da lava que estava no recipiente e murmurou mais palavras estranhas:

- Aso lotim, shihuim. Aso norhim, glonohim!!!

A caverna começou a entrar em colapso. Um portão surgiu repentinamente. Sabdulla gesticulava sugerindo que eu seguisse o caminho. Estava na entrada do templo novamente:

- Quem diria que conseguiria... Como se sentes, mortal? A voz de Zotur, novamente indagando-me.
- Estranho. Compreendo agora o que Sabdulla falava. Ele irou-se pelo fato de eu não compreendê-lo. A essência do existir é uma dança harmônica nas linhas que tecem o universo...
- Sua jornada será tortuosa, humano. O renascimento de tuas forças é apenas o prólogo de provações sofridas. Que Ostiev o guie!



Parece que finalmente nosso jovem recuperou seus poderes. O que aguarda Maori nesta nova fase? Que tipo de ameaça seria o tal experimento? E quanto a Dalkart?