sábado, 9 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (VI)

Elaborei um esboço acerca de como mais ou menos seria o mapa completo do Mundo Transcendental, revisando os capítulos antecessores. Ignorando o aspecto grotesco do rabisco, percebi uma coisa curiosa: acidentalmente coloquei as províncias numa disposição plenamente favorável, sem erros referenciais.



CHOQUE TEMPORAL




O que é o tempo? Uma pergunta aparentemente simplória, mas que roubou minha noite de sono. A dúvida por tal conceito me seduziu, deixando óbvio a intenção de destino.

- Já fez tua escolha?
- O templo fora dos domínios do reino.
- Boa escolha. Vamos lá averiguar...

Qaust é a Entidade do Tempo. A construção em sua homenagem atualmente localiza-se nos desertos de Mindrail, capital da Província-Estado de Kazullas. O conglomerado desértico do Mundo Transcendental (Kazullas, Osroath e Volrat) é um grande baú de segredos dos primórdios.

- Quando chegaremos? Maori resistia às altas temperaturas.
- Acredito estarmos próximos.
- Por que este é o único altar distante?
- Ele despencou do rochedo flutuante que sustenta Arthius devido aos constantes conflitos do Altar da Supremacia, tão intensos ao ponto de alterarem significativamente a topografia da região.
- Entendo. Mas isto não o tornaria facilmente explorável?
- Não exatamente. Selos diversos protegem o local, sem contar que parte do mesmo encontra-se submersa.
- Interessante.

Uma estrutura semelhante a um cubo enorme preenchia parte de um lago. Maori e sua monitora alcançaram o templo de Qaust:

- Como entraremos nisso? Não vejo nenhum portão ou entrada.
- A chave é o domínio temporal. Observe as luzes laterais.
- O que tem elas?
- São inscrições visando guardar o lugar. Olhos comuns não percebem, todavia elas contornam o templo numa velocidade absurda.
- Então temos que acompanhá-las?
- Exato, assim podemos destravar.
- Trancas mágicas. Deveras peculiar...

O silêncio reinou nos segundos iniciais após visualizar o interior. Relógios e engrenagens de todos os tipos e tamanhos lotavam os vários corredores.

- Isto é definitivamente único. Disse Maori, surpreso.
- Os livros apontam que todas as eventualidades que ocorrem no multiverso ficam registradas aqui. As bibliotecas temporais caracterizam tesouros inestimáveis, constando infinito potencial de informação.
- E quanto ao acesso?
- Infelizmente apenas Overlords e afins conhecem tal segredo.
- É uma pena...
- Não desanime. Alguns escritos são permitidos aos visitantes.

Fui atrás de respostas, voltei quase que afogado por mais dúvidas. As paredes - cheias de questionamentos - testavam a capacidade filosófica dos curiosos. Um lugar singular, original e de reflexões profundas.

- Marin, como definir o tempo?
- Acho que um padrão, muitas vezes unitário, usado com o intuito de evidenciar a transgressão das eventualidades independente da percepção do possível observador.
- Então o tempo, em sua essência, é atemporal? Está além dele mesmo?
- Não tenho uma resposta concreta, todavia acredito ser difícil imaginar “um tempo sem tempo”...

Aquele pequeno debate consumiu horas. O constante processo dialético estimulava o pensamento crítico do nosso jovem e da monitora. Onde residem as respostas para o universo, a vida e tudo que existe? O número 42 satisfaz algum racional? 






Pequena notinha de epílogo textual: Eu não uso drogas. kçkç