sábado, 9 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (VIII)


Opinião do Autor – Vergonha?



Estou criando este texto originalmente no dia 08 de Julho de 2014, marcado pela suposta humilhação da seleção brasileira diante da Alemanha. Pera lá, José... você opinando sobre futebol? Pois é, quem diria...

Algo despertou - e muito - minha atenção: a sensação de “vergonha” da maioria esmagadora dos brasileiros por conta de tal derrota. A felicidade em desfrutar do grandioso evento futebolístico e dos estádios no padrão FIFA foi substituída pelas lágrimas de aparente tristeza. Mas será que tais demonstrações emotivas são plausíveis?

Vivemos num projeto mal acabado de província onde mais de 80% dos inquéritos de homicídios são arquivados nas empoeiradas gavetas do descaso. Cerca de 90% das mortes violentas são por conta da disputa pelo controle do tráfico de drogas. Vemos diariamente nossas grandes cidades envoltas numa enorme cortina de sangue, contabilizando mais vítimas que as zonas de guerra mundo afora. Levar sete bolas na rede rendem mais infelicidade que toda essa desgraça?

Uma coisa em comum entre todas as “grandes datas” é a exacerbada hipocrisia da massa: natal, ano novo, jogo do brasil (minúsculo mesmo, do tamanho do meu orgulho em ser brasileiro).

O engraçado é que o dito “país do futebol” sempre levou goleada em saúde, educação e segurança e nunca vi ninguém se descabelando perante tamanha precariedade. Sinto nojo ao testemunhar esse bando de palhaços idolatrando um jogador como o heroi da nação enquanto a mesma agoniza à espera de mudança.

É deveras eminente o colapso deste ninho de corruptos. Vermes medíocres que ficam irritadinhos com beijo gay em novelinha mas não levantam o rabo da cadeira para exigir um modelo sério de desenvolvimento.  Escolas, hospitais? Nada disso é importante. Não se faz copa com estas coisas. Estudar, questionar? Isso é coisa de maluco. É bem melhor admirar a bunda cheia de silicone, o novo corte de cabelo do (a) famosinho (a) ou quem vai ganhar o reality show.

“Ah, mas se você não gosta do país vai embora hurr durr”

Quem dera se eu ganhasse uma passagem por cada imbecil que fala isso... Ademais, particularmente enxergo o brasil como uma lixeira: o problema é o que está dentro, e não o objeto em si.

Se este texto foi uma perda de tempo peço-lhe sinceras desculpas e que não se preocupe, pois o que fora supracitado não passa de lorotas e no final tudo dará certo porque deus é brasileiro.

Brasil: desordem e regresso...

“Um povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição. ”

Eita porra, quase esqueci do capítulo. Vamos nessa então...




CANTOS E TREVAS





Aquela densa neblina parecia não terminar. Maori caminhava por mais de duas horas através do desconhecido, esperando encontrar a entrada do templo:

- Maori?
- Essa voz... Saoru? É você, mestra?

Quando virei-me não havia nenhuma presença. Lembrei sobre as possíveis ilusões causadas pela influência mística do lugar e segui em frente. Meu campo de visão limitava-se a uns 10 metros. Aquela névoa constante parecia uma grande cortina, enfeitando o solo árido.

Decidi descansar um pouco, pois sentia o preço da instabilidade das minhas auras. Pensei nos eventos passados e o que esperar do futuro. Um canto doce começou a preencher os arredores. Não era uma melodia qualquer. Aquelas vozes cantavam lamentos, contos dos que caíram. Eram “sirens” – criaturas que habitam regiões remotas cuja cantoria possui propriedades hipnóticas – avisando aos possíveis andarilhos sobre suas presenças.
Os registros no Labirinto das Mil Palavras exaltavam o mistério envolvendo a existência de tais seres, os quais sempre trajando longas vestimentas e cobrindo grande parte do rosto com seus belos cabelos. Segundo boatos, as sirens são imortais que relatam o que já viram através de sons únicos, transmitindo mensagens implícitas entre as variações de tom.

Um aglomerado rochoso cortava a névoa dominante. Encontrei uma entrada na lateral. A visão melhorava caverna adentro. Após certo tempo alcancei um estranho Círculo, cujo centro era preenchido por inscrições brilhantes contidas numa pedra.

- Desejas desafiar tua própria existência, mortal?
- Quem disse isso?
- Me chamo Zotur. Sou porteiro do templo de Ostiev. Advirto-lhe que apenas a morte te aguarda no fim da jornada, mortal... Disse uma voz proveniente da construção central.
- O rei que fortifica seu castelo com o suor do progresso nunca teme a ruína.
- Ainda que sejas 99,9 % perfeito tua parcela imperfeita te guiará ao destino dos imperfeitos. Tens certeza que queres continuar?
- Não vim até aqui apenas para ouvir esse discurso idiota.
- Como quiser, guerreiro...

Zotur murmurou algumas palavras estranhas e aquele sombrio portal abriu-se diante de mim. Chamas estranhas iluminavam o local. Espectros lotavam os corredores. O odor forte de enxofre incomodava um pouco. Sentia-me perseguido por olhares. Aquele cenário hostil deixava bem claro o risco que eu corria.

- Olhem! Mais um que cairá! Disse um dos espectros, gargalhando.
- Qual caminho devo tomar, vermes malditos?
- Seu fracasso já está escrito.
- Pois então apagarei, farei do meu jeito e ainda esmagarei sem piedade qualquer um que representar um obstáculo.
- Aposto seriamente nisso, Maori. Proferiu alguém no fim do corredor.
- Quem és tu?
- Sou famoso por Arthius, todavia esta é a primeira vez que nos encontramos pessoalmente. Meu nome? Ashtar...
- Prazer inestimável, traidor.
- Podemos lutar, se quiser. Ah, quase esqueci... a donzela “tá dodói”.

Maori avançou sem ao menos pensar na possível diferença de poder:

- Grrr... Não consigo me mexer, droga!
- Desculpe. É difícil controlar a força da minha presença enfrentando uma escória tão insignificante.
- Deveras convencido.
- O que esperava de um deus?
- Inexistência?
- HA! Pobre tolo! Posso destruir facilmente cada átomo do seu corpo, porém só vim observar de perto o avanço da restauração.
- Como sabes sobre isto?
- Não há nada que eu não saiba de ti, jovem. Assim te provarei num futuro próximo. Mal posso esperar... AHAHAHAHA!!!  Proferiu Ashtar enquanto desparecia.


Qual será a surpresa de Ashtar? Outra ameaça assolará o reino? Nosso jovem estará pronto para enfrenta-lo?