segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XI)



Opinião do Autor – Polícia para quem precisa... quem precisa?

Cá estou, criando originalmente este texto no dia 20 de Julho de 2014. Eu não pretendia elaborar nada parecido, todavia logo entenderás o escopo de tal ato.

É contumaz, no bairro onde resido, uma sessão de festejos durante o fim de semana após o 2 de Julho (Independência da Bahia). Devido à copa a comemoração foi adiada. Bandinhas, grupos de forró e até trios faziam parte da atração. Já que não aprecio pagode nem saí da minha casa, ficando apenas observando do alto (moro em frente de rua).

O evento estava pacífico – um cenário até digno de estranheza – e as vad..., quero dizer garotas, agitavam seus traseiros bombados de academia e quase esfregavam suas respectivas genitálias no asfalto (nada de anormal). O epílogo já era anunciado pelo cantor, quando um elemento não identificado jogou uma latinha de cerveja contra um grupo de policiais.

Os militares começaram uma espécie de cochicho, daí vi que um empunhou a tonfa. Percebendo a rápida movimentação de um pm pensei: “ah, ele deve ter visto o responsável e foi enquadrar o sujeito”. Como eu me enganei... A criatura fardada simplesmente saiu “descendo o cacete” em qualquer um que via. Logo os seus colegas também se juntaram na distribuição gratuita de porrada. Diversos celulares gravaram tamanha irracionalidade.

Parecia um filme. Se alguém me contasse eu não acreditaria. As incontáveis pessoas desmaiadas sendo carregadas, os disparos ao alto, o próprio cantor gritando no palco contra a ação arbitrária dos sujeitos fardados. Uma cena deveras nítida na minha cabeça é quando quebraram algumas guias de bebidas de uns vendedores (até o isopor apanhou) e estes gritavam desesperados enquanto outras pessoas levavam uma senhora desmaiada para a emergência. Após “pintarem e bordarem” os pms decidiram partir, ouvindo as vaias da população.

Já vivemos assombrados pela falta de segurança e o temido fantasma da impunidade. Os excessos cometidos por tais sujeitos só aumentam o descrédito da corporação. Não estou generalizando (que fique bem claro), contudo o despreparo de muitos resulta em eventos catastróficos como o testemunhado por minha pessoa.

Acredito na necessidade da aplicação de um modelo educacional criterioso, digno e de qualidade às crianças para que não seja necessário punir os adultos. Injustiça me tira tanto do sério quanto hipocrisia. Talvez porque sou muito “certinho”. E antes que o fã clube da “cheirazade” comece a defecar através dos dedos saliento que temo os bandidos, porém tenho mais medo de quem tem licença para matar. Para os ditos “homens da lei” você é criminoso até segunda prova.

Com um exemplo de preparação e competência desse tipo acho melhor chamar o batman quando eu for assaltado, do contrário correrei o sério risco de ser espancado e morto pelas “duas faces da moeda”. Pergunto-me realmente qual a diferença entre um bandido que me espanca porque deseja meus pertences e alguém que pratica a mesma ação porque está supostamente agindo dentro da lei...

“ Quem confia em polícia? Eu não sou louco.”
- Racionais – Mágico de Oz

“ [...] Se eles me acham baleado na calçada
Chutam minha cara e cospem em mim...
Eu sangraria até a morte, já era, um abraço
Por isso a minha segurança eu mesmo faço.”
“ [...] Não são poucos
Que já vieram muito loucos
matar na crocodilagem, não vão perder viagem...“
- Racionais – Homem na Estrada


Depois dessa sessão de horrores tentarei te distrair com um capítulo razoável (nunca consigo fazer nada bom mesmo).


AMOR RACIONAL



- O que estás esperando? Identifique-se agora!
- Como quiser...

O silêncio imperou. O tempo parecia estático. Alguns segundos se passaram até alguém conseguir pronunciar algo:

- Maori? Maori!!! Asuka não conteve a alegria.
- Olá, Asuka. Ainda estou meio surpreso. Pensei que...
- É, eu também. Despertei do coma após quase três meses. Perguntei por ti, todavia disseram que estavas em um programa de restauração, não entendi direito...
- Olha... não sei nem o que dizer...
- Palavras não são necessárias. Nossa vontade de viver nos trouxe até aqui. Posso te fazer companhia?
- Claro.

Depois de tantas provações finalmente curtia um bom momento. A satisfação em reencontrar tamanha preciosidade confortava o meu ser. Tínhamos muito o que conversar:

- Ah, tenho umas novidades: fui promovida!
- Overlord agora? Parabéns, cargo merecido.
- Obrigada. Como Arthius se fundiu com diversas facções muitos Elites foram incorporados. Uma campanha de unificação do Mundo Transcendental começará em resposta ao demasiado crescimento de Dalkart.
- Detalhes?
- Vangladius apenas citou. Ele dividirá as funções bélicas de cada Overlord e Elite na próxima reunião.
- Ah, entendi. E quanto aos seus novos alunos?
- Tanto eu quanto a Blossom optamos em não mestrar, já que agora somos da guarda pessoal da rainha. Falando em Naturia: não compareci à reunião porque tentaram um golpe no meu planeta. Uns extremistas loucos que defendem a supremacia dos Storns por eles não terem essência elemental.
- Lembro que encarei um tempos atrás.
- Fale de ti. E a grande jornada? Proveitosa?
- Aprendi muita coisa, apesar da minha monitora ser meio louca. Visitei lugares únicos, testemunhando eventos inacreditáveis.
- Imagino. 
- Hmm... Maori faz cara de desdém.
- O que foi?
- Se você pensa que vai mandar em mim só porque é Overlord agora...
- Calma, bobinho. Asuka riu e o abraçou.

Os jovens papeavam enquanto desfrutavam ao máximo a companhia um do outro:
- Asuka, acreditas em felicidade?
- Sim, porém como um estado e não condição.
- O próprio egoísmo de desejar manter apenas as coisas boas ocasiona variantes adversas. As dificuldades nos edificam, nos transformam...
- O segredo consiste em aprender com o fútil, aproveitar o inútil e sintetizar o útil...
- A Marin diz que somos movidos por algo, um propósito central. Sentido é importante, todavia nem sempre necessário. 
- Querer outorgar objetivo a tudo que existe é limitar a capacidade perceptiva. A coexistência harmônica e ao mesmo tempo caótica das eventualidades universais nutrem nosso amor pela dúvida.
- Brilhante argumento. O que é precioso em sua visão?
- Tudo que me faça lembrar você. Asuka sorriu.
- Ah, pare com isso...
- Envergonhado fica mais bonitinho. 
- Como o assunto mudou tão depressa?
- Nem sei. Talvez somos irresistíveis... 
- Provavelmente. Maori riu.
- Sabe, comecei a te admirar após o coliseu... Mesmo com a desaprovação da maioria você simplesmente se superava cada vez mais, quebrando totalmente meu conceito negativo sobre os humanos. Um enorme senso de justiça e honra é facilmente notável em tua conduta. Quando percebi já estava envolvida de apreço pelo homem que és, Maori.
- Não sou digno de tão belas palavras. O nosso breve papo antes daquela luta mexeu comigo. Algo me dizia que aquela experiência mudaria minha vida completamente. Nunca entendi de sentimentos e afins, mas não havia como ignorar tamanha vontade em me aproximar... 
- Construímos nossos caminhos de forma solitária. Por que não continuar juntos? Asuka sorriu.
- Gostei da ideia. 

Após tantas guerras e conflitos Maori e Asuka possuem um momento feliz. Qual será o impacto da campanha de unificação na vida dos guerreiros?

P.S: Perdão se ficou meloso ou brochante. Não manjo muito dessas coisas de amor e afins por ser um jovem ancião chato.