sábado, 27 de fevereiro de 2016

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XXV)


HUMANIDADE



Um tempo se passara após a nomeação dos novos Overlords. Maori – agora com dezoito anos - pensava enquanto aproveitava o sossego da floresta ao fundo do castelo, seu refúgio.

- Sabia que te encontraria aqui.
- Olá, Asuka.
- Algo te incomoda, amor?
- Não exatamente. Mesmo chegando onde estou o medo de me perder no caminho ainda permanece. É o único temor que possuo.
- Travamos uma eterna batalha interna. Não se assuste tanto com isso...
- Tentarei.

Asuka trouxe o guerreiro ao calor dos seus braços. Aquele sorriso encantador sempre confortava Maori.

- Não se preocupe. Estarei do seu lado.
- Fico aliviado em saber disso. Você seria uma oponente bem problemática.
- Sim, te derrotaria em uns dez segundos.
- Convencida... Maori riu.
- Mudando de assunto... A hora se aproxima...
- Dalkart, não é?
- Exato. Vangladius está quase terminando de reunir o pessoal.
- E aquela Mão Multiversal?
- A base de Dalkart é constituída de instalações antigas. Há registros de uma estátua antiga de Rimsalah no interior do castelo deles. A Mão Multiversal nada mais é que uma parte dessa estrutura. Analisando a leitura de energia podemos rastrear a localização exata do local, mesmo que este se mova.
- E pensar que uma coisa tão esquisita teria utilidade...

A conversa dos guerreiros foi interrompida bruscamente:

- Desculpe aparecer sem avisar mas há algo que precisa ver, Maori.
- Se veio até aqui então realmente é importante, Marin. Asuka poderá nos acompanhar?
- Claro. Vamos...

A monitora transportou os jovens até um horizonte vermelho que logo despertou uma familiar sensação em Maori:

- Isso é Sedna?

- Sim. Toda essa destruição é resultado de conflitos religiosos entre a raça humana.
- Cadê todo mundo? Asuka procurava formas de vida.
- Contrabandistas intergalácticos aproveitaram a confusão e capturaram os poucos milhares de humanos que sobraram para escraviza-los. Alguns - com capacidade intelectual mais aguçada - serão estudados minunciosamente.
- Não se enganem. Esses desgraçados não têm conserto. Continuarão a adorar algo, mesmo que signifique a destruição do semelhante. Ser vil é a essência da minha maldição chamada humanidade.   
- O cômico é que estávamos conversando sobre isso instantes atrás...
- Não tentará salvá-los? Certamente o Vangladius permitiria. Disse Marin.
- Por quê? Por acaso deveria demonstrar compaixão por esses desgraçados egoístas? Eles que se danem. Cada um que afunde no próprio mundinho de merda...
- Ao menos o planeta poderá se recuperar do estrago.
- Pois é.
- Bem, era só isso. Vamos retornar...

Novamente na floresta de Arthius:

- Perdão por te fazer experimentar isso.
- Tudo bem. Fez bem em vir até aqui.
- Bom, não quero atrapalhar mais o casal. Já estou indo. Aliás... como conseguiste uma garota tão linda, Maori?
- Quando descobrir te conto. O Overlord riu.

Marin desapareceu, deixando os jovens a sós outra vez:

- Estava pensando em umas coisas também... Disse Asuka, envergonhada.
- Diga.
- Após terminamos toda essa confusão com Dalkart solicitarei à rainha uma autorização para você morar comigo em Naturia.
- Não acho que seja uma boa ideia...


- Por quê? Prefere o cheiro de mofo daquele templo ao calor do meu corpo?
- Não, sua besta! A Ice não vai com a minha cara. Maori riu.
- Isso a gente resolve... Asuka riu.



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Enquanto o resto da humanidade pagava o preço dos erros o jovem Overlord se entusiasmava com o futuro. Quantos obstáculos ainda virão para a paz reinar absoluta?

 Capítulo 24 | Capítulo 26

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XXIV)



“TRICKSTER”




A cerimônia de premiação já estava pronta. O salão central do castelo foi adornado com tesouros para receber os possíveis vencedores. Um incrível banquete não poderia faltar, até porque praticamente toda a população viria prestigiar o evento.

- Bem, parece que a prova chegou ao fim. Vamos cuidar do que falta.
- Sim, Vangladius.
- Quem diria que terminaria assim?
- Pois é...

Hazz já se encontrava no castelo. Os Overlords foram até ela:

- Acompanhe-nos. Precisamos averiguar seus pergaminhos na sala de reunião.
- Como quiser.

Quando Vangladius abriu a porta Hazz não conseguiu esconder o espanto. Não havia sentido no que se mostrava diante dos teus olhos.

- Por que demoraram tanto?
- VOCÊ? IMPOSSÍVEL!
- Ah, é possível sim. Inclusive esse Selo da Escuridão que carregas é falso.
- Não pode ser...
- Lilith, saia e explique por favor.
- Sua ingenuidade foi a chave da derrota. Percebemos que tinhas força e vontade enorme em ver o Maori morto e humilhado, então fizemos você enxergar isso. Lilith riu.
- Quando foi que...
- Logo após que Gyruda morreu, no momento que se encararam. Enquanto ficava parada curtindo a ilusão pegamos um dos pergaminhos e trocamos o outro por uma réplica.
- Isso é jogo sujo.
- Jogo sujo? Agradeça por minha piedade. Poderia muito bem ter pego ambos. Dei dicas de que tudo não passava de ilusão, mas és tão retardada que não percebeu. Acha que somente força te trará glória? Músculos de nada servem sem um cérebro consistente. A nobreza é tão burra assim? Maori riu.

Shienn tentava acalmar a aluna, porém sem efeito.

- Bem, vamos ao salão? Vashirah apontava na direção da porta.

O povo recebeu os Overlords com estrondosas palmas. Vangladius já se preparava para o pronunciamento:

- O motivo que reúno os senhores hoje é nobre. Anunciaremos os novos guerreiros que ajudarão diretamente na garantia de continuar mantendo um reino próspero e digno nesse vasto multiverso. Vashirah, quando quiser.
- Hazz Hizzdriv, um passo à frente.

A guerreira – ainda nervosa – recebeu o título do Vangladius.

- Parabéns pelo triunfo. Pegue também este escrito antigo. Uma recompensa que te ajudará nas árduas tarefas que virão.
- Obrigada...

As palmas pareciam confortá-la, pelo menos no momento.

- Maori Mikashi, um passo à frente.
- Bem, aqui vou eu.

Shienn percebeu a passagem de Maori. Eles se encararam por alguns instantes. A Nephilim ainda mantinha o peculiar traje e o ornamento cobrindo a testa:

- Não precisa ficar triste com sua aluna. Ela não tinha chances. Disse Lilith enquanto acompanhava o futuro Overlord.
- Servia Orochi e agora ele... O que buscas?
- Não é óbvio? Poder, é claro. E o Maori ama o poder tanto quanto eu.

Enquanto uma parte do público aplaudia a outra demonstrava um rosto de desaprovação enquanto cochichava.

- Parabéns, Maori. A partir de agora serás um dos grandes pilares do reino. Tome este escrito antigo.
- Obrigado, Vangladius. Posso falar um pouquinho com o povo?
- Sim, claro.

O Grandmaster pediu o silêncio dos presentes.

- Vamos deixar uma coisa bem clara: cheguei até aqui por mérito próprio. Pouco me importa se aceitam ou não um humano Overlord. A única coisa que exijo é respeito. Piedade não consta em meus princípios. Massacrarei qualquer engraçadinho que tentar desafiar ou debochar da minha autoridade. Pensem bem antes de ficarem no caminho. Se temiam Orochi pelo que ele fez então ainda não conhecem o verdadeiro medo. Estamos conversados...


Maori saiu enquanto a multidão se sufocava com o silêncio. 


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O que acontecerá nessa nova fase?


ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XXIII)



EM BUSCA DA GLÓRIA




- Até quando vai ficar se escondendo?
- O problema do tolo é que ele só enxerga o que deseja. Você usa esse pretexto de nobreza para outorgar superioridade a si mesma. Me pergunto quem realmente se esconde...
- Tua língua é bem afiada para um plebeu.
- Ainda com esse papo? Assim eu morro de sono.
- O Draus estava mais animado quando o decapitei.
- É mesmo? Legal, mas não perguntei. A verdade é que isso tudo me diverte.
- Diversão, é?
- Exato. Vem cá que te mostro.

Maori provocava Hazz. Ele não era dos mais pacientes, ela muito menos.

- Ora, ora... Pelo jeito a nobreza não treina regularmente.
- Pare de ocultar a presença entre os espelhos e lute como homem, desgraçado.
- Tentar me diminuir não adiantará. Conheço seu tipinho. Sou humano, afinal. Quem melhor quando o assunto é arrogância?

Hazz começou a destruir tudo ao redor, embriagada pela raiva e com uma enorme vontade de cortar as entranhas do jovem Elite.

- Nunca senti tanta raiva assim em uma luta. Vou te estraçalhar, Maori.
- Até onde sei essa cara não é de raiva. Ficou excitada lutando comigo? Pervertida. Maori riu.
- Falando assim com uma dama? Verme ultrajante.
- Dama? Você não passa de uma vagabunda convencida.


Maori usava da pouca visibilidade do local para estabelecer vantagem. A névoa invocada pela guerreira glacial se voltara contra ela.

- Ainda não percebeu? Não adianta quebrar os espelhos, pois mais sempre aparecerão. Continue escrevendo o roteiro de tua derrota.
- Quem pensa que és?
- Boa pergunta. Nem eu sei quem sou. Talvez um futuro Overlord...
- Palhaço. Essa filosofia toda já encheu.
- É mesmo? Terás todo o tempo de refletir depois que perder.

Maori continuava na defensiva, o que só aumentava a fúria de Hazz. Mal percebeu ele que a névoa foi rapidamente dispersada pela oponente.

- Finalmente colocou a mente ao trabalho. Assim que gosto. Fêmeas burras só servem como banco de sêmen.
- Agora não há para onde fugir. Últimas palavras?
- Você per...

Antes que o Guardião terminasse a frase Hazz perfurou o lado esquerdo do seu peito.

- Lado errado. Não tenho coração. Maori riu.
- Não faz diferença. Minha espada congela tudo que toca.
- Interessante. Esse é o fim então?
- Creio que sim.
- Engraçado. Algo me diz que não...

O jovem tombou ao chão, partindo-se em vários pedaços. Hazz – já com os pergaminhos em mãos – preparava o retorno ao castelo de Arthius.

- Odeio escórias tagarelas. Resmungou Hazz enquanto olhava o corpo despedaçado.

A guerreira não disfarçava o sorriso no rosto. Ser a única sobrevivente dentre os desafiantes da Clasíoda era prova incontestável de capacidade.

- A Shienn ficará orgulhosa...

O gelo do templo começara a derreter instantes após o término da luta. Hazz já se aproximava do portal. Ela decidiu fazer uma última busca pelo local só por garantia, chegando a conclusão óbvia de não encontrar nenhuma leitura de energia.

- Bem, é hora de ir... O poder me aguarda.

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A Clasíoda chega ao seu fim. Terá Arthius força necessária contra Dalkart?

ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XXII)

Talvez eu tenha encontrado inspiração para voltar a escrever depois de alguns meses. Claro que isso não significa que será um texto bom. No máximo a mesma merda de sempre...



GUERREIRA GLACIAL




- Por que não desiste?
- Se eu ganhasse um novo poder para cada oponente que me diz isso...

A Clasíoda estava durando até demais. Maori sentia dificuldade enfrentando Gyruda. Ganhar tempo já não fazia diferença. O cansaço estampado na face do jovem era um sinal disso.

Os Overlords monitoravam atenciosamente os acontecimentos.

- Então Maori... o que fará agora? Vangladius pensava alto.
- O sistema começou a apontar uma queda brusca de temperatura no templo. O que significa isso? Perguntou Asuka.
- Aguarde e verá... Shienn riu.

O confronto foi interrompido. Maori e Gyruda encaravam-se sem compreender o fenômeno ou o responsável por tal. O local foi congelado em questão de segundos.

- Maori, detectei outra leitura de energia.
- Ela? Logo agora?
- Pois é. Prepare-se.
- Não precisava nem falar, Lilith.

Um cristal gigante apareceu repentinamente no centro do salão, abrigando Hazz em seu interior.

- Destruirei ambos, nada pessoal.
- Não há o porquê de me destruir. Gyruda ainda guarda os pergaminhos.
- Você é humano. Não tens o direito sequer de falar comigo, uma habitante de Plumitum. Sou da mais alta linhagem multiversal. Sua existência é um erro.
- Vossa suposta nobreza de nada vale, vadiazinha de merda.
- Isso foi um insulto?
- Se diz superior e não consegue interpretar uma frase. Deve ser uma delícia fazer esse rostinho de princesa sangrar... Maori riu.
- Verme!!

Uma densa névoa dominou o templo. A visibilidade – precária – só servia para confundir.

- Como ousa profanar o lar de Sethytys!!
- Morra.

Um feixe de luz atravessou Gyruda. Hazz o destruiu sem esforço algum.

- Só falta mais um... Hazz encarou Maori.

O jovem Elite sentiu medo, depois de tanto tempo. Seu lado humano gritou ao presenciar chances altas de morte.

- Não ouça a voz do desespero, Maori. Concentre-se no que realmente importa.

Hazz tinha velocidade e visão de batalha tão incríveis que parecia prever qualquer coisa ao redor. Seus ataques precisos trucidavam Maori, o qual desabou ao chão devido aos ferimentos.

- Merda...
- Levante-se, escória!
- Lilith, vá embora.
- Mas e você?
- Ficarei bem.
- Bem? Mal consegue ficar de pé.
- Obrigado pela novidade mas tenho algo em mente.
- E por que tenho de ir?
- Se der errado pelo menos apenas um de nós será destruído...
- Não seja idiota! É muito arriscado! Lilith usou um tom triste.
- Uma relíquia se preocupando com um humano? Quem diria... Maori riu.
- Confiarei em ti. Não me desaponte.
- Tentarei.  




Lilith abraçou o Guardião. Ninguém nunca havia documentado sobre demonstrações de afeto por parte das relíquias. Ela virou-se rapidamente a fim de esconder o choro e desapareceu num raio negro, deixando Maori a sós contra Hazz.

- Abandonando a relíquia? Já desistiu?
- Desistir? Não necessariamente.

Maori curou-se rapidamente dos ferimentos. Vários espelhos de gelo apareceram no lugar.

- O que estás tramando?
- Você já perdeu essa luta, garota. A pergunta é: quando perceberás tua derrota?
- Não há como eu perder para um humano fracote!!
- É mesmo? Veremos...


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Qual será o resultado desse embate?


ARTHIUS - SUPREMACIA MULTIVERSAL (XXI)





GYRUDA



- Essas galerias não terminam, Lilith?
- Paciência, logo chegaremos.

Maori adiantava os passos temendo a aproximação de algum inimigo. Após uma longa caminhada alcançou um majestoso salão com diversas cachoeiras e sem teto. Duas luzes intensas vinham das lápides ao fundo do local.

- Esse brilho...
- Sim, certamente é o pergaminho. Melhor apressar-se.

Quando o jovem colocou seus pés no barro úmido um imenso tremor começou a abalar o local.

- O que está acontecendo? Maori tentava equilibrar-se.
- Acharam mesmo que seria tão fácil?

Logo o responsável daquela voz se levantara do chão: Gyruda. Seu corpo – de tão grande – parecia um só com o templo.

- Então és o primeiro desafiante? Muito bem...




Vários seres começaram a se erguer dos túmulos nas costas do gigante.

- Sério isso?
- Destruam-no!

Os ajudantes de Gyruda não tinham chances contra Maori, sendo facilmente abatidos.

- Interessante...
- Dá pra passar logo esse pergaminho?
- A luta apenas começou...

As cachoeiras do local secaram. Uma lua vermelha jorrando sangue surgiu no céu. Propriedades dimensionais? Todas distorcidas. Gyruda emanava uma energia muito mais ameaçadora e intensa que antes...

- O que é isso?
- Última técnica: Espelho Primordial. Meu poder revela a face do teu pior inimigo.
- Mas sua aparência está igual a... entendi. Nietzsche... Até que és inteligente para um gigante que protege um lugar no meio do nada. Maori riu.
- Exato. Quem seria teu pior oponente além de ti mesmo? Quem conheceria tuas fraquezas tão precisamente além de você?

O confronto teve início. A habilidade de Gyruda mostrou-se impecável. Ele imitava o estilo de luta, as estratégias e até o modo de falar do Maori. Por mais que os ataques fossem rápidos o oponente parecia prever qualquer movimentação.

- Hã? Já quer fugir? Provocou Gyruda.
- Lilith, temos de manter distância e pensar num método eficiente.
- Situação complicada...
- Sim...
- Ele não pode te replicar, então ainda temos uma vantagem.
- Atacar com tudo?
- É o jeito. Vamos!

As horas corriam. A situação da batalha continuava imutável. Ambos acumulavam frustrações por não estabelecerem vantagem sobre o outro. O confronto legítimo era psicológico e não físico.

O calor quase insuportável gerado pela disputa começou a derreter as estruturas da região. Até o templo sentia os efeitos de um embate prolongado.

- Passa logo a merda do pergaminho!!
- Vem pegar à força!!
- Eu nunca me odiei tanto quanto agora...

Os Overlords observavam atentamente os esforços do jovem e discutiam as informações obtidas através da Clasíoda:

- Maori é casca grossa. Uma resistência notável... Opinou Ice.
- Calma, pois ainda é cedo para julgamentos. A verdadeira diversão começa agora. Shienn riu, apontando o monitor que mostrava a Hazz.
- Ela está chegando. Seu namoradinho terá problemas, Asuka.
- Por favor, Maori. Acabe com isso rápido... Asuka expressava preocupação.
- Ele dará um jeito de contornar isto.
- Acreditas tanto no potencial deste jovem, Vashirah? Indagou Vangladius.
- Sim. Nós somos iguais...

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Hazz – a possível favorita da Clasíoda – aproxima-se. O que acontecerá no salão de Gyruda?